EDITORIAL FOLHA DE S.PAULO - Força declinante

Fachada do Palácio do Itamaraty, em Brasília
Países se impõem no cenário internacional por meio do poderio econômico e militar ou, alternativamente, pelo que se convencionou chamar de "soft power" —o condão de aglutinar apoios graças ao prestígio e à credibilidade.
Longe de figurar entre as potências do primeiro tipo, o Brasil amarga também o declínio de sua imagem aos olhos do restante do mundo. Tal noção, quase intuitiva, ganha contornos mais objetivos em ranking recém-publicado por uma consultoria britânica.
No documento, o país ocupa uma modesta 29ª colocação entre os considerados mais aptos a exercer influência global de maneira persuasiva; estávamos em 23º há dois anos, quando o levantamento teve início a partir de indicadores relacionados a instituições, cultura e política externa.
Importa menos a posição na lista —possivelmente apenas uma forma de tornar o estudo mais chamativo— do que a evidência do desencanto com os atrativos brasileiros.
A perda de protagonismo na arena diplomática é visível desde o governo de Dilma Rousseff (PT), que, ao contrário de seus antecessores Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, não mostrava apetite para as relações exteriores.
Mais recentemente, um relatório elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos atacou, sem poupar Lula nem FHC, o que considera deficiências históricas na política externa, que fracassou em objetivos fixados como prioritários, caso da obtenção de um assento no Conselho de Segurança da ONU.
Considere-se, ademais, que o mundo ficou mais hostil nos últimos anos. A eleição de Donald Trump nos EUA e o plebiscito em favor da saída do Reino Unido da União Europeia, nos exemplos mais marcantes, mostraram nações menos propensas à abertura de suas fronteiras e seu comércio.
Cumpre, porém, apontar o óbvio —que nada pode ser mais devastador para o poder de convencimento externo de um país do que fracassos domésticos simultâneos na política e na economia.
Nesta década, o peso do Brasil no PIB global minguou de 3,1% para 2,5%. O atual presidente, alçado ao posto após um processo de impeachment, pode ter o mandato interrompido na próxima semana, acusado de corrupção.
Não é situação que permita ao governo encontrar muito a dizer para além das fronteiras nacionais, ainda que houvesse lá fora alguém interessado em ouvi-lo.

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