A chegada de Raquel é tão decepcionante quanto a partida de Janot

Enquanto a nova procuradora-geral tropeça na agenda, o chefe em fim de mandato brinca de índio
Por Augusto Nunes
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a futura procuradora-geral Raquel Dodge, durante reunião do Conselho Superior do MPF para analisar a proposta de orçamento - 25/07/2017 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A troca de Rodrigo Janot por Raquel Dodge na Procuradoria Geral da República ameaça confirmar que, no Brasil, o que está péssimo sempre pode piorar. Depois de inventar a meia delação premiadíssima que concedeu a Joesley Batista um habeas corpus vitalício, Janot resolveu brincar de índio, providenciou um estoque de bambu e transformou Michel Temer em alvo preferencial de suas flechadas erráticas. Nesta terça-feira, Raquel começou a mostrar que sua chegada pode ser tão decepcionante quanto a partida do colega em fim de mandato.
Depois de uma visita fora de hora ao presidente da República, a sucessora de Janot foi compelida a cancelar a conversa com o onipresente Gilmar Mendes, marcada para esta quarta-feira, porque a imprensa divulgou o dia e a hora do encontro que deveria ser clandestino. Já se sabe que, na reunião com Temer, o anfitrião combinou com a visitante que a cerimônia de posse da nova procuradora-geral será realizada no Palácio do Planalto. Logo se saberá que Temer aprovou o aumento salarial  de 16,7% reivindicado por Raquel Dodge. O velho Brasil é duro na queda.
Matéria publicada no veja.com em 09.08.2017

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