Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine

Com a decisão do juiz, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras não tem prazo para deixar a cadeia. Ele é acusado de receber R$ 3 mi da Odebrecht
Ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine - 13/02/2014 (Piervi Fonsceca/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)
O juiz federal Sergio Moro decidiu nesta segunda-feira converter em prisão preventiva, ou seja, sem prazo para terminar, a prisão temporária do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine. O ex-executivo das estatais está detido em Curitiba desde a quinta-feira passada, quando foi deflagrada a Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato. Bendine é acusado pelo Ministério Público Federal de ter recebido 3 milhões de reais em propina da Odebrecht em 2015. Os irmãos Antônio Carlos e André Gustavo Vieira da Silva, apontados como intermediários do suposto pagamento, também tiveram as prisões preventivas decretadas por Moro. A informação é de veja.com.
“Pela análise probatória, forçoso reconhecer a presença dos pressupostos da preventiva, boa prova de materialidade e de autoria, de crimes de corrupção ou concussão, lavagem e associação criminosa”, enumera o magistrado.
A decisão do juiz federal se baseia em novas provas reunidas pela Polícia Federal nos mandados de busca e apreensão da Operação Cobra. Na casa de Bendine, os investigadores reuniram anotações manuscritas sobre assuntos de interesse do Grupo Odebrecht no Banco do Brasil, a exemplo de dados de financiamentos de empresas como a Odebrecht Ambiental, além de uma anotação que indicava um almoço com Fernando Reis, executivo da empresa e delator da Lava Jato.
“São elementos circunstanciais, mas que corroboram em parte o relato dos criminosos colaboradores, confirmando o especial envolvimento de Aldemir Bendine com o financiamento à Odebrecht Ambiental e que deu causa à solicitação de propina”, afirma Sergio Moro na decisão.
O magistrado considerou também anotações de Bendine que indicam que ele, enquanto investigado por enriquecimento ilícito e uso de dinheiro vivo na compra de um imóvel, em 2014, tentou manipular o depoimento de um motorista que lhe prestava serviços na presidência do Banco do Brasil. “Anotações manuscritas como ‘encontro c/ motorista’ ‘p/ dissuadi-lo a não depor no MPF’ parecem ter sentido inequívoco do envolvimento de Aldemir Bendine em ameaças e tentativa de obstrução da Justiça na investigação criminal”, afirma Moro.

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