'Priorizo ser feliz, poucas coisas materiais me atraem', diz Vanessa Giácomo

Treze anos após sua estreia como atriz, Vanessa Giácomo continua pé no chão e vivendo como uma pessoa comum, fugindo do rótulo de celebridade
LEO DIAS
Ela vive no mundo glamuroso da fama desde 2004, quando despontou como protagonista da novela Cabocla. Treze anos depois, interpretando a investigadora de polícia Antônia, na novela ‘Pega-Pega’, Vanessa Giácomo continua com o pé no chão e vivendo como uma pessoa comum e fugindo do rótulo de celebridade.
Vanessa Giácomo/Divulgação
Casada com o empresário Giuseppe Dioguardi e mãe de três filhos: Raul, Moisés (do relacionamento com Daniel de Oliveira) e Maria (do atual casamento), a atriz é gente como a gente, daquelas que vai à padaria, dá faxina na casa e acompanha as reuniões escolares das crianças, como ela conta na entrevista exclusiva à coluna que você pode ler a seguir.
Percebo uma diferença, quando sua personagem está com e sem farda na novela. Você pontua bem isso, né?
Foi uma composição mesmo, acho que a Antônia tem que ser um pouco linha dura, até pra impor respeito.Ela é mulher, e é um ambiente onde tem muito homem trabalhando, acho que foi a forma que ela encontrou de trabalho. Na vida amorosa, é uma mulher que se decepcionou muito, que teve várias frustações... e ela se apaixonou pelo Julio de uma forma muito genuína e esse amor foi acontecendo. Então eu acho que ela vira outra mulher mesmo, ela se desmonta, ali ela está sem máscara.
Décimo terceiro personagem na TV, você vê uma diferença muito grande da televisão dos dias de hoje para quando você começou? Porque eu vejo, vejo uma rotatividade maior, figurões, não são mais tão figurões assim, as pessoas que tinham a intenção de ficar a vida inteira como ator, hoje em dia não são mais. Buscaram outra veia, procuraram outra linha, foram para a apresentação... Você imaginava o que está acontecendo hoje? 
Então, estando dentro dessa situação não consigo ver com essa clareza, eu acho que ainda encontro alguns figurões de novela, algumas pessoas que ainda tem bastante credibilidade com personagem... Tem pessoas que ainda são grandes na dramaturgia, que dá uma credibilidade para a novela, tem vários!
Você acha que a novela de hoje é a mesma novela do passado? A internet mudou muito, os hábitos mudaram por causa da internet.
Com certeza! O que eu percebo é que a televisão tem mais ritmo. Antes você tinha uma respiração, hoje vejo que tem um ritmo maior. Acho que as pessoas não tem mais o mesmo ritmo de quando comecei em Cabocla, por exemplo. Mas também acho que depende muito da linguagem da novela.
Você recusa muitos papeis? O que te encantou em Pega-Pega e te fez aceitar? 
Eu já recusei muito poucos! Mas sempre por um motivo importante. Nunca foi porque eu não gostei. Às vezes por ser muito próximo de uma outra novela que eu esteja, ou um personagem parecido… Eu acho que é direcionamento de carreira mesmo. E no caso de Pega-pega, eu acreditei no papel, o que me encantou foi porque achei curioso demais de falar dos bastidores do hotel. Em geral a gente sempre olha para o que é glamuroso, para o que é bonito. Ela fala muito dos bastidores , dos funcionários, deste roubo, dos hóspedes do hotel, então eu gostei disso. Até na delegacia que poderia ter uma linguagem formal, mostrar o trabalho o tempo inteiro, tem uma coisa bem informal deles ali do dia a dia, uma vontade de mostrar como é , que eu acho muito interessante.
Como é o seu dia a dia? 
Eu sou uma pessoa muito prática, no meu dia a dia, não vou me bajular, não vou me pintar inteira, não vou me “emperequetar” para ir a padaria! Eu sou assim, acordei daquele jeito? Está ótimo, eu vou!
Mas você vai na padaria?
Vou! Na padaria, vou em qualquer lugar que você imagina, quando tem que ir em algum lugar sou eu que organizo, vou comprar as coisas, faço faxina às vezes em casa quando estou de folga no final de semana… Tenho uma vida bem normal mesmo, não é nada muito diferente. Às vezes as pessoas falam assim, “Vanessa com três filhos, trabalhando...”. O que tem demais? Várias mulheres têm três filhos e ainda trabalham. Às vezes o artista tem uma carga horária mais puxada e acaba que não consegue. Até porque não é só ali trabalhando, às vezes está fazendo uma revista, tendo que viajar a trabalho. Mas foi a vida que eu escolhi, então acho que tenho que adequar ela até pra minha vida ficar tranquila. Hoje em dia priorizo ser feliz! Poucas coisas materiais me atraem. Eu penso: “ai gente, será?” Se eu penso, já não vou fazer. Eu acho que hoje já sou mais prática nisso, de medir o que acho importante e o que eu não acho. Hoje em dia me permito falar não. Vou se realmente não estiver cansada, sabe? Meu foco é ser atriz, vou se eu realmente estiver preparada para atuar no personagem, eu não vou ficar cansada igual a uma louca por conta de trabalho fora.
Então entre um trabalho fora e a festa da escola dos seus filhos...
(risos) Eu acho que vou na festa da escola dos meus filhos!
Rola um tratamento diferenciado por ser artista. Como você lida com os privilégios? Como seus filhos lidam com o fato de ter uma mãe estrela? 
Vivo no Rio de Janeiro e aqui é sempre tudo muito tranquilo. As pessoas estão muito acostumadas. Não tem assédio o tempo inteiro. Acontece uma forma de olhar diferente, mas quando a pessoa vem com esse pensamento eu mostro que sou uma pessoa normal, igualzinho a elas. Meus filhos lidam de forma bem natural porque as pessoas do Rio encaram com normalidade.
E rede social? Você usa muito?
Eu tenho que lembrar de postar. Não posto nada desde junho. Posto muito pouca coisa sobre meus filhos. Procuro não expor a minha família até mesmo pela questão da violência.
Você vende post?Faz post patrocinado?
Faço, mas depende. Muito pouco porque não movimento muito as redes. Não sou uma pessoa que posta todo dia. Já fiz um ou dois posts pagos, mas tem que ser coisas que eu acredito muito. As pessoas acham que eu não como! Mas eu como! Eu como biscoito, por exemplo.
Então não faria a propaganda de um remédio para emagrecer que você não acredita?
Não! Não faria.
Na sua relação com seu marido, é você quem tem a personalidade mais forte?
Eu tenho, mas também tenho um equilíbrio muito grande. Sou muito tranquila e é difícil eu me estressar. Eu não guardo mágoa também. Se me irritou, eu falo na hora e resolvo. E perdoo.
Qual é o seu signo?
Sou de áries. Eu tenho amigas que falam: ‘Vanessa, mas você fala com fulano de tal? Ele fez isso, isso e isso’. Eu respondo: ‘ih, gente! Eu já esqueci!’
Isso é bom, não é?
Com certeza! Nem todo mundo é totalmente certo ou totalmente errado! As pessoas perdem muito tempo com isso na vida e isso só traz energia ruim. Procuro tratar as pessoas com o maior carinho possível e levar coisas boas. Só coisas boas.
Eu li que você tinha vergonha de ficar de biquíni. É porque você virou mãe ou sempre foi assim?
Se eu estou na praia com meus filhos e minhas amigas, estou muito relaxada. Não consigo ver que tem um paparazzo e achar normal. Acabou a minha praia! Mas não tenho vergonha nenhuma do meu corpo. Tenho uma genética muito boa. Nenhuma gravidez mudou muito o meu corpo. Não busco a perfeição e está tudo certo.
Você tem vontade de ser mãe de novo?
Acho que três é um número bem redondinho. Sempre quis ter três filhos... Venho de família grande.
Mas é pesado, não é? São três mensalidades escolares...
É... Mas me traz tanta felicidade... Vale muito a pena!
Como é a sua relação com eles?
Os três são muito agarrados comigo. Mãe é uma potência. Maria, hoje em dia, por ser mais nova, é mais dependente. Mas os três são muito agarrados.
Você se vê neles?
Em todos! Acho que um pouquinho em cada um. Um em questão de genética, outro em comportamento, no outro o olhar, o jeito de pensar...
Quais são seus planos para o futuro?
Não sei o que vou fazer quando acabar a novela. Eu sou uma pessoa que não planeja o futuro. Não programo viagem com antecedência. A novela acaba em janeiro e talvez eu viaje um pouco para descansar, já que vai ser uma temporada de férias.
E aí a programação volta à normalidade de cuidar dos filhos. Fiscalizar boletins dos filhos...
Exatamente.
Você vai às reuniões na escola?
Vou. E quando não dá eu marco uma outra data e vou. É importante participar, não é?
Qual é a sua preocupação hoje, Vanessa?
A violência! Tenho muito medo. Nunca passei por assalto, mas a gente escuta tanto... Sinto uma tensão na cidade. Sinto um clima que eu não sentia no Rio. Não deixo de fazer nada, mas fico mais alerta, principalmente no trânsito.

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