Reforma trabalhista vai tirar 1,5 milhão do desemprego, diz Itaú

Estudo produzido por analistas do banco indica que mudanças na CLT trarão impacto positivo no mercado de trabalho e no PIB em quatro anos
Carteiras de trabalho de candidatos a vagas de emprego Temporário - 02/06/2017 (Reinaldo Canato/VEJA.com)
A reforma trabalhista aprovada em julho fará com que o desemprego recue em 1,5 milhão de pessoas em quatro anos, segundo estudo do Itaú divulgado nesta segunda-feira. O número de desempregados no país foi de 13,5 milhões em junho, segundo os últimos dados do IBGE.
Os analistas consideram que as mudanças nos mais de cem pontos da CLT, que entrarão em vigor a partir de novembro, aumentarão a competitividade das empresas do país e podem elevar em 3,2% o PIB no mesmo período.
De acordo com a análise, assinada pelos especialistas Fernando Gonçalves, Luka Barbosa e André Matcin, os maiores impactos seriam decorrentes da melhora na facilidade para contratar e demitir e na cooperação entre trabalhadores e empregadores. Os analistas levam em conta os quesitos sobre mercado de trabalho do Relatório de Competitividade Global (RCG), produzido pelo Fórum Econômico Mundial. Nesta lista, o Brasil ocupa o 117º lugar dentre 138 países – com a reforma, chegaria ao 86º.
Em relação às admissões e demissões, o ganho estaria nos novos modalidades de contrato, como o trabalho intermitente, redução de jornadas ou home office, que permitiriam às empresas se ajustar melhor às mudanças na sua demanda. Outra vantagem para os empregadores é o menor risco de sofrerem processos trabalhistas nas dispensas, por itens como a possibilidade da demissão por acordo, a redução do papel dos sindicatos e medidas que desincentivarão ações de má fé.
“Em conjunto, estas medidas tendem a aumentar a formalização do emprego e a produzir uma menor rotatividade, aumentando assim os incentivos para investimento em treinamento e formação do capital humano por parte do empregador”, estimam os analistas.
O ganho na cooperação entre empregados e empregadores viria, além das novas modalidades contratação, de mudanças como a prevalência de acordos individuais e a remuneração por produtividade.
Apesar dos benefícios previstos, os analistas consideram que os ganhos dependerão de como a Justiça vai julgar os casos decorrentes das novas leis, e a expectativa é de que as mudanças aumentem o número de processos no curto prazo. Os analistas consideram também que o impacto da reforma na economia é alto, mas são necessárias outras reformas além da trabalhista.
“No entanto, para alcançar níveis de competitividade mais elevados, são necessárias mudanças em outras frentes, como qualidade das instituições, ambiente macroeconômico (incluindo a complexidade tributária) e infraestrutura”. diz trecho do texto. (veja)

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