Veja as principais frases da votação da denúncia contra Temer na Câmara

Temer foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria Geral da República por corrupção passiva. O STF só poderá analisar a denúncia se a Câmara autorizar.
O plenário da Câmara dos Deputados realiza sessão nesta quarta-feira (2) para discutir e votar a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva.
Para que a denúncia siga adiante, ao menos 342 deputados terão que votar contra o parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do relator Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomenda a rejeiçãoda peça apresentada pela procuradoria.
Antes da votação, o deputado e relator Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) e a defesa de Temer tiveram tempo de fala. Em seguida, na fase de discussão, deputados se pronunciam.
Veja as principais frases da sessão desta quarta.
Fala do relator
O deputado e relator Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) falou durante 25 minutos.
"Consta dos registros históricos de nosso tempo. A desolação que se apoderara do país ao assumir o presidente Temer as responsabilidade da presidência. O país se encontrava literalmente paralisado, com as contas públicas em desordem, déficit fiscal crescente, indústrias paradas e exportações em colapso. A esse quadro, somavam-se danos como inflação em alta, de braço dado com juros insuportáveis, além de desastres na petrobras e no setor elétrico, vítima este último da improvisação e do voluntarismo."
Abi-Ackel afirma que país estava 'paralisado' quando Temer assumiu a presidência
"O presidente optou pelo enfrentamento da crise através de remédios amargos, mas inevitáveis, decididamente necessários para desarmar as complicações e impasses de antemão colocadas em seu caminho. Estamos diante de um governo imune às críticas, satisfatório em todos os setores de seu desemprego? É claro que não. Há muito o que corrigir. Há muito o que fazer. Ainda há muito o que ousar, mas há que registrar em seu crédito acertos e benefícios para o país."
Abi-Ackel diz que Temer optou 'pelo enfrentamento da crise com remédios amargos'
"Medidas restritivas na economia têm preço nas quedas dos índices de popularidade do presidente que as adota. A questão que se põe para a população é de saber se no Brasil, tão afetado por uma continuidade de erros, seria possível apelar para paliativos embalados em grandes campanhas de publicidade."
“A decisão da Câmara ao conceder ou negar a licença não alterará a substância ou destino da denúncia oferecida contra o presidente da República pelo senhor procurador-geral da República Rodrigo Janot. A denúncia remanesce na inteireza dos seus termos se por ventura negada licença para imediato início da ação penal. A Câmara decide a matéria como juiz da oportunidade da instrução criminal, sobretudo diante do afastamento automático do presidente por 180 dias. Este mecanismo de conveniência e oportunidade do processo penal não pode ser confundido com pretensa norma de impunidade ou rotulado como salvo conduto para o cidadão que ocupa episodicamente o cargo de presidente de República.”
Abi-Ackel diz que processo poderá ser instaurado depois do fim do mandato de Temer
"O julgamento da Câmara é de natureza política em sua essência, mas é natural que, na elaboração do seu voto, o parlamentar leve em conta o valor intrínseco da denúncia, a exatidão da sua narrativa e principalmente a razão fundamentada no bom senso da atribuição de responsabilidade penal ao presidente da República."
"Procurei demonstrar que a denúncia oferecida contra o presidente da República carece de elemento essencial a peças acusatórias, pois lhe falta a descrição do vínculo, lhe falta o nexo causal entre a prática do ato delituoso e a pessoa do presidente."
"Na denúncia em que se discriminam os atos do senhor rodrigo rocha loures referente a toda questão do recebimento do dinheiro que lhe foi entregue por Ricardo Saud, agente executivo do senhor Joesley Batista, a inclusão do nome do presidente da República não se apoia em testemunhas, documentos, provas, indícios contáveis e periciais."
"Deve ser negada pelo plenário a licença para processar imediatamente o presidente da República por todas essas razões que acabo de expor, reitero que meu relatório é no sentido da inadmissibilidade da acusação e pelo indeferimento da solicitação para autorização de instauração de processo número 1 de 2017 contra o presidente da República Michel Temer."
Fala da defesa de Temer
Em seguida, o advogado de Temer, Antônio Mariz de Oliveira, se pronunciou.
"O primeiro equívoco que anoto e gostaria que vossas excelências refletissem é que o processo coloca-se no banco dos réus o presidente da República, e coloca no altar da santidade um criminoso confesso, um delator."
“Temos outro equívoco. Fala-se que o presidente da República terá arquivada essa acusação para sempre. Mentira, engodo, embuste. O presidente da República, em 1º de janeiro de 2019, estará respondendo sim a esta denúncia, em 1º grau, com um juiz conhecido de Curitiba, ou com outro juiz qualquer. Se será recebida a denúncia, eu não sei. Mas esta denúncia não irá para arquivo, pelo fato desta Câmara julgar corretamente, não dando licença para o seu processamento. É apenas uma questão temporal, um ano e meio.” Antônio Mariz de Oliveira
Mariz de Oliveira cita o 'rol de equívocos' que está colocando o país em dificuldade
"Não se consultou a sociedade sobre isso. Será que a sociedade não prefere um ano e meio de continuidade dessas medidas benéficas a ela, sociedade?"
"E a moral? E a dignidade do presidente da República? Isso não importa? Não importa o sofrimento que esta denúncia, com toda a cobertura que certa imprensa lhe dá, está trazendo para seu filho, para sua mulher, para seu irmão? "
"Será que há razões para tudo isso? Para a sangria da nação, para a sangria da dignidade, da honra, da moral de um homem de bem?"
"Preparam uma gravação, em fevereiro, esse Joesley, que deveria estar no banco dos réus e está no altar da santificação, ligou para o procurador e disse: ‘Quero fazer delação’. [...] Tenho o direito de supor sim, que houve encontro prévio, em janeiro, fevereiro, preparando a delação, todo um esquema para enredar o presidente da República. Será que não foi dito para este cidadão: ‘O senhor precisa me trazer coisas substanciosas, porque senão não faremos a delação’. "
"Prepararam uma gravação sem autorização judicial, sem nenhuma cobertura legal. Prepararam sim uma gravação clandestina, subterrânea, no submundo da coleta de provas. Eles fizeram isso."
"A gravação é tecnicamente errada, cheia de defeitos, indigna de ser aceita como prova no poder Judiciário. Vários peritos, da USP, da Unicamp, instituições de peritos, o próprio laudo oficial. O laudo oficial afirma a existência de 294 interrupções. Interrupções essas que deram ensejo naturalmente a deturpações na gravação, a enxertos, a uma série de vácuos nessa gravação. "
Mariz de Oliveira questiona se presidente é um 'facínora' que precisa ser preso
"É uma questão temporal, 1 ano e meio. Não se pode aguardar 1 ano e meio? Será o presidente da República um facínora que não pode ficar solto? Será o presidente da República um homem que deve ter confinada a sua liberdade ou pelo menos deverá ser ele expulso do Palácio do Planalto?"
Fase de discussão
Deputados se pronunciam por até 5 minutos cada um.
"A denúncia não foi uma denúncia política, foi uma denúncia jurídica. Trata-se de um crime do Código Penal, um crime comum. (...) As digitais de cada um dos senhores ficarão na história. Ou você defende as investigações, o trabalho da Justiça, a Lava Jato, ou você se alia a esse governo, que é um governo que tira direitos e está mergulhado em um mar de corrupção." Deputado Aliel Machado (Rede-PR)
Aliel Machado afirma que denúncia foi 'jurídica', não política
"Eu acredito que o Supremo Tribunal Federal deveria arquivar um pedido tão esdrúxulo como esse. E a gente percebe que, por trás de tudo isso, existe um revanchismo de um governo de esquerda." Deputado Takayama (PSC-PR)
Takayama diz que STF deveria arquivar um pedido tão 'esdrúxulo'
"Michel Temer é o chefe de Eduardo Cunha no esquema apontado pela Procuradoria Geral da República. (...) Este presidente da República não pode continuar. Nós temos que abrir o processo. (...) Cadê os deputados que apoiam o governo? Estão nos gabinetes escondidos. Não querem mostrar a cara aqui até a última hora. Não querem aparecer para as câmeras e possivelmente vão falar apenas a declaração de voto. Tem vergonha." Deputado Ivan Valente (PSOL-SP)
Ivan Valente pede que povo 'execre publicamente' quem votar a favor de manter Temer
"Quem votar contra o parecer do grande deputado Paulo Abi Ackel, do PSDB, é porque detesta o Brasil, é porque tem raiva do Brasil, é porque está alinhado com o PT, com o PCdoB, com a Rede, com o PSOL, com o PDT. Esses partidos que governaram o Brasil por 13 anos e quebraram o Brasil. Montaram o maior esquema de corrupção no país. [...] O capitão da corrupção chama-se Luiz Inácio Lula da Silva." Deputado Mauro Pereira (PMDB-RS)
'Não fiquem do lado do PT', diz Mauro Pereira ao pedir votos de parlamentares do PSDB
“Ladrão é ladrão e tem que ser tratado como ladrão. Ladrão não tem partido, ladrão não tem ideologia. Não tem ladrão de direita, de centro ou de esquerda. Comportamento do ladrão é comportamento do ladrão. (...) Não há a menor dúvida que Michel Temer e a sua quadrilha praticaram, sim, nesse momento sob avaliação só o crime de corrupção passiva. Posteriormente, outros crimes estarão sob apreciação.” Deputado Major Olímpio (SD-SP)
Major Olímpio afirma que relatório em votação foi feito 'com as mãos de Temer'
"Quero novas eleições limpas, para mais do que limpar a sujeita, lavar a alma da população brasileira. (...) O presidente repete que a denúncia é fraca. Então vamos abrir o processo, ele tem advogado, se defende, tem como ir lá na Justiça fazer o contraponto. Mas para baixo do tapete, não. Não tem tanto tapete para tanta denúncia. Quem não deve não teme." Deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS)
Pompeo de Mattos critica uso da 'caneta' por Temer
"A posição do PRB é sim às investigações. Mas sabe quando? Quando concluir o mandato do presidente Temer e quando a Justiça tiver de fato o que apresentar, que liguem os fatos ao presidente." Deputado Silas Câmara (PRB-AM)
Silas Câmara afirma que PRB defende investigação de Temer depois do fim do mandato
"O deputado tem o direito de se defender e provar sua inocência. Todos que estão aqui. E por que o presidente não? (...) O presidente da República, em vez de desejar, de almejar o poder, ele deveria honrar o poder que ele exerce, e ele não tem honrado." Deputado Júlio Delgado (PSB-MG)
Júlio Delgado critica tentativa de 'blindar' Temer
“Que crime Temer cometeu? Vocês leram a denúncia? Que dinheiro o Temer recebeu? Que dinheiro o Temer pediu?” Deputado Laerte Bessa (PR-DF)
Laerte Bessa afirma que Lula 'é o maior ladrão do mundo'
“Dizem que a Câmara está suja [com caixas e papéis de ‘Fora Temer’]. Quem está suja é a instituição Presidência da República, porque tem um presidente da República que sujou o país, envolvido nas mais variadas ilações do ponto de vista da corrupção. (...) O cara tem 95% de rejeição. Será que essa Casa vai fazer o abraço dos afogados? Será que não ter coragem de votar nesse presidente, que não tem apoio popular, que não tem condições nenhuma de governar o Brasil? (...) Nunca vi uma figura tão incapaz para gerir o país. Nem os empresários do pato, da Fiesp, acreditam mais nesse governo.” Deputado José Guimarães (PT-CE)
"Se armou um conjunto de forças que são majoritárias aqui na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, mas que são minoritárias na sociedade, e esse conjunto de forças vem impondo ao país uma série de políticas que vem prejudicando o povo brasileiro. Políticas como a reforma trabalhista, que retirou direitos dos trabalhadores brasileiros." Carlos Zarattini (PT-SP)
“Não podemos aceitar, num momento de instabilidade do país, num momento onde o mundo todo lá fora está vendo, a política do ‘quanto pior, melhor’. (...) Precisamos ficar firmes na trincheira. Não pelo Temer, mas pelo país.” Deputado Fausto Pinato (PP-SP)
Votação de requerimentos
"Neste momento, não é razoável afastar o presidente Temer por seis meses, para levar o país para uma instabilidade política, para uma incerteza econômica." Baleia Rossi (PMDB-SP)
"A mala [de dinheiro] nunca saiu da casa do deputado Rocha Loures. Nunca chegou a quem eles queriam que chegasse, ou seja, ao colo do presidente Michel Temer. Queriam que essa mala fosse lá para o Palácio do Planalto. [Investigadores] ficaram nessa campana por 30 dias e, como não teve movimentação dessa mala, encerraram a campana. Assim, não há vantagem indevida recebida pelo presidente da República." Deputado Hildo Rocha (PMDB-MA)
Encaminhamento de votos da matéria
"O PT não é um partido, é uma organização criminosa. [...] Vocês [oposição] precisam lavar as bocarras com soda cáustica, são imorais, incompententes, falsos moralistas, e acham que vão nos colocar contra a opinião pública. [...] Quem é Temer mostra a cara e até tatua aqui no ombro." Deputado Wladimir Costa (Solidariedade-PA)
"85% da população sabe que Temer é corrupto. [...] Esse governo do Temer é o maior retrocesso da história do Brasil. Governo corrupto. Estamos votando manter um governo corrupto. [...] Isso é um escárnio, um desrespeito ao povo brasileiro. Comprar votos, manter Temer é ser conivente com a corrupção." Deputado Ivan Valente (PSOL-SP)
"O que o povo brasileiro é que nós busquemos os 14 milhões de desempregados e ajudemos essas pessoas. Vamos cobrar o presidente Temer." Mauro Pereira (PMDB-RS)
"Os brasileiros estão cansados de verem o Parlamento passando a mão na cabeça de quem comete crimes. [...] Essa denúncia, que como poucas, tem provas robustas, claríssimas, vídeos, áudios do presidente praticando crimes, a defesa quer tratar como ficção." Alessandro Molon (Rede-RJ) (G1)

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