A nova rotina do dr. Paulo

Confira as primeiras horas do deputado e ex-prefeito de São Paulo na Polícia Federal, onde ele se entregou nesta quarta-feira, 20, para começar a cumprir uma pena de 7 anos, nove meses e dez dias de prisão por lavagem de dinheiro
Paulo Maluf. Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto
O deputado e ex-prefeito Paulo Maluf, o dr. Paulo, chegou à Polícia Federal por volta de 9 hs, um pouco antes, da quarta-feira, 20. Levava uma pequena mala de roupas, algumas peças de algodão apenas, um calçado sem cadarço. Andava aparentemente com dificuldade, em seus 86 anos de idade, apoiado em uma bengala. Tomou um elevador do prédio-sede da PF no bairro da Lapa e foi até o nono andar, onde fica a Corregedoria. Seus advogados adiantaram-se e se apresentaram às autoridades.
Maluf parecia cansado. Logo sentou-se em uma cadeira. Desprezou o sofá confortável, desses que o corpo afunda e aí fica mais difícil se recompor.
Estava sonolento. Na cadeira ele cochilou. Artimanhas de dr. Paulo? Seus advogados afirmam que ele está doente e que até fez quimioterapia recentemente, na luta contra um câncer que já enfrentou há 20 anos.
Delegados chegaram. Profissionais, mas respeitosos com Maluf. “Café?” “Água?” O velho prisioneiro não aceitou.
Parece ter dificuldades até para escutar.
Surgiu um imprevisto. Para lançar o nome do réu nos assentamentos da PF é preciso algum número, do CPF e da Cédula de Identidade, por exemplo. Mas o deputado não portava nenhum documento! E não tinha de cabeça os números de sua própria identificação.
Os advogados se apressaram.
Enfim, trouxeram a CNH do Maluf. Ali consta que ele tirou a carta em 9 de setembro de 1949. Consta também o CPF dele, 007….Nascido aos 3 de setembro de 1931.
Anotações de praxe, hora de ir para o Instituto Médico Legal na Vila Leopoldina. É a rotina. O deputado levantou-se e caminhou vagarosamente até o elevador, o corpo curvado. A mocinha ofereceu-lhe o ombro para apoio. “Dr. Paulo…” Ele recusou.
O delegado Albuquerque Machado fez a escolta até o IML. É um veterano no ofício.
Depois dos exames, o retorno à PF, mas agora o elevador parou no terceiro andar. Aqui é a carceragem.
Maluf já conhece esse ambiente. Em 2005, ele passou 41 dias na cadeia federal, alvo que fora de um decreto de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal em São Paulo. Saiu, afinal, beneficiado por decisão do então ministro Carlos Velloso, do Supremo Tribunal Federal.
Doze anos depois, voltou à PF, nesta quarta, 20, agora na condição de condenado a 7 anos, 9 meses e dez dias de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. A ordem de custódia é do ministro Edson Fachin, do STF.
Ao dr. Paulo, o Ministério Público atribui desvios milionários dos cofres da Prefeitura de São Paulo, que administrou entre 1993 e 1996.
O dinheiro teria saído das obras viárias mais importantes e monumentais de sua gestão, o Túnel Airton Senna e a Avenida Água Espraiada, hoje Jornalista Roberto Marinho. Maluf sempre negou contas no exterior. ‘Não tenho e nunca tive contas no exterior”, recita, sempre que indagado sobre o tema.
Nesta quinta, 21, ele deverá ser transferido para o Centro de Detenção Provisória da Papuda. Um juiz de Brasília mandou reservar uma vaga para o dr. Paulo na ala dos idosos. (Estadão)

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