Congresso peruano rejeita impeachment do presidente Pedro Pablo Kuczynski

Após quase 17 horas de sessão, legisladores não conseguiram os 87 votos necessários. Foram 78 votos a favor da saída do presidente peruano, 19 contra e 21 abstenções.
Após quase 14 horas de sessão, o Congresso peruano não conseguiu votos suficientes para o impeachment do presidente Pedro Pablo Kuczynski por “incapacidade moral”. O processo foi aberto dias depois de a empreiteira brasileira Odebrecht revelar o pagamento de propinas milionárias a empresas ligadas a ele.
Para o impeachment de Kuczynski, conhecido como PPK, eram necessários 87 votos dos parlamentares. No entanto, o plenário contabilizou 78 votos a favor da saída do presidente peruano, 19 contra e 21 abstenções.
O presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski apresenta sua defesa na sessão do Congresso na qual foi votado seu processo de impeachment, em Lima, na quinta-feira (21) (Foto: Reuters/Mariana Bazzo)
Kuczynski sempre negou as acusações e disse que o processo foi baseado em uma mentira. Nesta quinta, antes da votação, ele apresentou sua defesa perante o Congresso. “Venho demonstrar minha inocência porque a isso sou obrigado. Pois, ao que parece, não tenho presunção de inocência”, disse.
"Não sou corrupto, não menti, jamais favoreci nenhuma empresa ou pessoa durante a minha gestão como ministro de Energia e Minas, de Economia ou como primeiro-ministro, também não o fiz desde que me tornei presidente", disse Kucynski.
Governistas comemoram permanência do presidente peruano no cargo após mais de 14 horas de sessão para votar tentativa de impeachment (Foto: AP Photo/Martin Mejia)
Logo após o término da votação que garantiu sua permanência no cargo, o presidente peruano pediu reconciliação. A declaração foi feita por Kuczynski no Twitter. "Peruanos, amanhã começa um novo capítulo em nossa história: reconciliação e reconstrução de nosso país. Uma única força, um único Peru", escreveu.
Defesa
Segundo a agência EFE, Kuczynski explicou que é proprietário da empresa Westfield Capital, dedicada a assessoria financeira, desde 1992, bem como que, quando foi ministro do governo de Alejandro Toledo (2001-2006), a companhia foi administrada por seu ex-sócio Gerardo Sepúlveda.
Kuczynski explicou que foi Sepúlveda quem assinou e geriu um contrato de assessoria financeira da Odebrecht e que ele nunca soube do mesmo porque levantou uma "muralha chinesa" para distanciar-se da atividade privada de sua companhia.
"Existem provas que demonstram que Gerardo Sepúlveda era o gerente da companhia, que assinava os contratos e desenvolvia os serviços, assim reconhece a Odebrecht", indicou Kuczynski.
O presidente acrescentou que "a norma proíbe que [um funcionário público] gerencie interesses próprios ou de terceiros, mas os dividendos que um empresário recebe por parte de uma empresa são pela propriedade da mesma, não por sua gestão".
Congressistas ouvem o presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski apresentando sua defesa na sessão na qual foi votado seu processo de impeachment, em Lima, na quinta-feira (21) (Foto: Reuters/Mariana Bazzo)
Sessão
A sessão que votou a tentativa de impeachment do presidente peruano teve início às 9h30 (12h30 em Brasília), com a apresentação da defesa pelo próprio acusado, seguido por uma argumentação de seu advogado. Na sequência, os parlamentares passaram o dia todo em debate, e a votação só começou depois de 14 horas.
Odebrecht
A Odebrecht admitiu ter pago US$ 29 milhões em propinas para obter obras no Peru entre 2004 e 2015, período que abarcou os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), do qual Kuczynski foi ministro; Alan García (2006-2011); e Ollanta Humala (2011-2016).
Humala permanece em prisão preventiva, acusado de receber US$ 3 milhões para sua campanha eleitoral de 2011, enquanto que contra Toledo pesa uma ordem de extradição dos Estados Unidos, por supostamente receber US$ 20 milhões em propinas para conceder à Odebrecht a construção de uma rodovia. (G1)

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