Presidente do Peru diz que ganhou ‘algum dinheiro’ com Odebrecht

País é uma das nações mais afetadas pelos esquemas de corrupção patrocinados pela construtora; Pedro Pablo Kuczynski é alvo de processo de impeachment
O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski (Ernesto Arias/EFE)
O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, admitiu neste domingo que “ganhou algum dinheiro” com os serviços que sua firma de consultoria privada prestou para a Odebrecht na década passada. O líder peruano está sob pressão para que renuncie após a revelação de que a empreiteira brasileira repassou quase 800.000 dólares, entre 2004 e 2006, à empresa da qual Kuczynski era sócio. Na época, ele era ministro do governo de Alejandro Toledo.
Em uma entrevista de uma hora transmitida pela televisão, Kuczynski repetiu que não tinha qualquer envolvimento direto na empresa de consultoria no momento em que os pagamentos foram feitos. Mas reconheceu que era acionista da firma e que teria se beneficiado dos lucros provenientes dos serviços prestados à Odebrecht.
Até a semana passada, o presidente peruano negava qualquer envolvimento com a empreiteira. Por não ter revelado espontaneamente os pagamentos, o Congresso do país iniciou um procedimento de impeachment contra Kuczynski, sob a alegação de que ele demonstrou “incapacidade moral”.
O Peru é um dos países da América Latina onde os esquemas de corrupção patrocinados pela Odebrecht tiveram impacto tão grande quanto no Brasil, atingindo as maiores lideranças do país nos últimos quinze anos. Todos os últimos ex-presidentes estão envolvidos de alguma forma: Ollanta Humala está em prisão preventiva; Alejandro Toledo, de quem Kuczynski foi ministro, foi alvo de um pedido de extradição; e Alan García é investigado por doações irregulares de campanha.(veja)

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