Alemanha e Turquia tentam reaproximação após ano de tensões

Mevlüt Cavusoglu e Sigmar Gabriel, chefes da diplomacia turca e alemã, se reuniram na Alemanha com o objetivo de reativar as relações bilaterais.
Mevlüt Cavusoglu e Sigmar Gabriel, chefes da diplomacia turca e alemã, em encontro na Alemanha (Foto: REUTERS/Ralph Orlowski)
Os chefes da diplomacia turca e alemã se reúnem neste sábado (6) na Alemanha com o objetivo de reativar as relações bilaterais depois de um ano de tensões.
Mevlüt Cavusoglu encontrou Sigmar Gabriel na cidade em que o ministro das Relações Exteriores alemão tem seu distrito eleitoral, Goslar, cerca de 250 km a oeste de Berlim.
Esta visita faz parte dos esforços de Ancara para sair do seu isolamento, consequência da repressão que se seguiu ao fracassado golpe de Estado de 2016, e para restabelecer o diálogo com a União Europeia (UE).
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou na sexta-feira (5), durante uma visita a Paris, que seu país está "cansado" de esperar por uma eventual adesão à UE.
A crise com a Alemanha tem sido especialmente difícil nos últimos meses. Berlim se posicionou veementemente contra a detenção na Turquia de vários de seus cidadãos, a maioria com dupla nacionalidade.
No verão passado, Berlim emitiu aos seus cidadãos uma advertência sobre viagens para a Turquia e às suas empresas sobre investimentos no país. Também congelou as exportações de armas para a Turquia, embora seja um aliado na Otan.
"Novo recomeço"
Pouco antes de sua viagem à Alemanha, o ministro das Relações Exteriores da Turquia considerou que Ancara e Berlim, parceiros estratégicos devido à importante diáspora turca na Alemanha (três milhões de pessoas), estão interessados em "um novo recomeço para suas relações bilaterais".
"Seria razoável continuar nossas relações no âmbito da amizade e da cooperação", afirmou em uma coluna publicada na imprensa alemã.
Berlim também tenta diminuir as tensões. O encontro em Goslar é "uma expressão dos esforços dos dois lados" para melhorar as relações, mesmo que não resulte em soluções a "questões difíceis", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Adebahr, na sexta-feira (5).
O governo turco enviou vários sinais de apaziguamento desde novembro, como a libertação condicional ou total de várias pessoas com passaporte alemão. No entanto, sete alemães, quatro com dupla cidadania, permanecem detidos na Turquia por razões "políticas", de acordo com Berlim.
O destino do correspondente do jornal alemão Die Welt no país, Deniz Yücel, detido há quase um ano e contra quem ainda não há acusações, é a principal fonte de discórdia entre Berlim e Ancara.
Por sua vez, Ancara acusa regularmente Berlim de indulgência para com os separatistas curdos e os supostos conspiradores golpistas.
Erdogan chegou a acusar a chanceler Angela Merkel de "práticas nazistas" depois que a Alemanha proibiu ministros turcos de fazer campanha no país para o referendo sobre o fortalecimento dos poderes do chefe de Estado.
Merkel tem defendido nos últimos meses a suspensão das negociações sobre a adesão da Turquia à UE e uma redução da ajuda financeira a esse país. Mas a chanceler não obteve o apoio de seus parceiros, apesar de que, na sexta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, aproximou-se desta posição ao propor à Turquia uma "associação" com a UE, em vez de uma adesão.
A Alemanha, assim como os seus vizinhos europeus, hesita em romper os laços com um parceiro estratégico. A Turquia é essencial para conter os fluxos migratórios e na luta contra o extremismo islâmico.
De acordo com o político alemão Cem Özdemir, de origem turca, o recente restabelecimento das relações está ligado a outros fatores. A Turquia, confrontada a uma inflação galopante, "vai mal economicamente e o país precisa urgentemente de turistas e investimentos alemães", afirmou no jornal Berliner Zeitung. (G1)

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