Após encontro, Coreias do Sul e do Norte concordam em manter o diálogo

Representantes dos dois países se encontraram pela 1ª vez em dois anos.
Líderes das delegações norte-coreana, Ri Son Gwon (esquerda), e sul-corena, Cho Myoung-gyon, reuniram-se nesta terça-feira (9) em Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa os dois países (Foto: Yonhap via Reuters)
As Coreias do Sul e do Norte concordaram em manter o diálogo para reduzir a tensão na região, de acordo com comunicado conjunto divulgado depois da 1ª reunião que aconteceu nesta terça-feira (9), após mais de 2 anos sem diálogo entre os países.
A Coreia do Sul aproveitou a ocasião para pedir que a vizinha suspenda "atos hostis" que contribuem para aumentar a tensão na península coreana. De acordo com Seul, a Coreia do Norte concordou que é preciso garantir um ambiente pacífico.
O encontro aconteceu em um esforço para apaziguar a escalada na tensão ocorrida em 2017 – ano marcado pelos seguidos testes de armas norte-coreanas e pelo tom beligerante com o qual respondeu ao regime de Kim Jong-un, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Jogos de inverno
A Coreia do Norte concordou em enviar uma delegação de autoridades de alto nível e uma equipe de torcida aos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados em fevereiro em Pyeongchang, na Coreia do Sul, entre 9 a 25 de fevereiro. A cidade fica a apenas 80 km da zona desmilitarizada que serapara as duas Coreias.
Os dois únicos atletas norte-coreanos qualificados para disputar os jogos são os patinadores Ryom Tae-Ok e Kim Ju-Sik. A delegação do Comitê Olímpico Nacional norte-coreano será composta ainda por um grupo de artistas, uma equipe de Taekwondo e um serviço de imprensa.
O Sul também aproveitou a oportunifdade para solicitar um encontro das famílias separadas pela guerra (1950-53), um dos legados mais dolorosos do conflito.
Linha militar direta
Os países vizinhos também concordaram em restabelecer uma linha telefônica militar direta, poucos dias depois da reabertura de uma linha civil. Esta é a linha para as comunicações militares na região ao redor do Mar Amarelo (chamado Mar Ocidental nas duas Coreias), segundo a EFE.
O governo sul-coreano afirmou, em comunicado, que o líder da delegação norte-coreana expressou "sentimentos negativos" em relação a menção à desnuclearização durante as conversas desta terça, segundo a Reuters.
Cinco representantes de cada país participam da reunião, realizada na aldeia de Panmunjom, vilarejo onde o cessar-fogo da Guerra da Coreia foi assinado, na Zona Desmilitarizada entre os dois países.
O ministro sul-coreano da Unificação, Cho Myoung-Gyon, e o chefe da delegação norte-coreana Ri Son-Gwon apertaram as mãos antes de entrar no edifício.
De acordo com os costumes norte-coreanos, Ri portava um broche ornado com o retrato do pai fundador da Coreia do Norte, Kim Il-Sung, e do seu filho e sucessor Kim Jong-Il. Cho portava um broche com as cores da bandeira da Coreia do Sul.
Esse foi o primeiro encontro de alto nível desde dezembro de 2015 entre os dois lados – que tecnicamente estão em guerra há mais de 65 anos e não têm relações diplomáticas oficialmente.
A delegação norte-coreana cruzou a pé linha de demarcação militar para ir à Casa da Paz, o lugar de encontro do lado sul-coreano, a poucos metros de onde um soldado desertou há dois meses, sob uma chuva de balas.
Ministro da Unificação sul-coreano posa ao lado de outros integrantes da delação antes viajar para encontro com representantes da Coreia do Norte, em Panmunjon, nesta segunda-feira (8) (Foto: AP Photo/Ahn Young-joon)
Cautela
A reaproximação é vista com cautela por especialistas, como Koh Yu-Hwan, professor da Universidade de Dongguk.
"Ambas as partes chegarão a um acordo sobre Pyeongchang sem qualquer problema, mas o que acontecerá depois?", questiona. "Não será fácil chegar a um acordo imediato sobre questões relacionadas à melhoria das relações intercoreanas".
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, em seu discurso de fim de ano, falou da intenção de reatar o diálogo, mas defendeu a manutenção de seu criticado programa balístico e nuclear.
É possível que as sanções internacionais contra a Coreia do Norte estejam funcionando e, o que alguns temem, é que os norte-coreanos imponham condições para ir aos jogos – como um alívio das punições impostas pelo conselho de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Discurso de Ano Novo de Kim Jong-Un é transmitido em televisão na Coreia do Sul (Foto: AP Photo/Lee Jin-man)
Outra condição que a Coreia do Norte pode impor é a suspensão dos treinamentos militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul.
Em dezembro, foi realizado o maior exercício conjunto já feito entre os dois países – e um novo treinamento foi adiado para depois dos jogos. (G1)

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