Após rebeliões, novo diretor do sistema prisional diz que vai transferir presos perigosos e com 'liderança negativa'

Empossado na Diretoria Geral de Administração Penitenciária, Edson Costa quer 'estratificar a população carcerária' para evitar novos motins. Em 5 dias, ocorreram 3 conflitos.
Coronel Edson Costa é empossado ao lado do secretário de Segurança de Goiás, Ricardo balestreri (Foto: Vitor Santana/G1)
O coronel Edson Costa foi empossado nesta sexta-feira (5) como novo titular da Diretoria Geral de Administração Penitenciária (DGAP), órgão criado pelo governo para cuidar exclusivamente do sistema prisional em Goiás. Após três rebeliões nos últimos cinco dias, ele afirmou que vai transferir os detentos mais perigosos para presídios estaduais, alguns ainda em construção, para evitar novos motins.
"Com essa nova direção, vamos também estratificar a população carcerária. Estamos construindo cinco unidades estaduais, duas já estão prontas, e os presos mais perigosos, faccionário e com liderança negativa, vão ser transferidos para essas unidades sem regalia, distantes da família", disse Costa.
A cerimônia de posse foi realizada na sede da Secretaria de Segurança Pública, que agora não é mais responsável pelo sistema prisional e contou com a presença do titular da pasta, secretário Ricardo Balestreri.
O novo diretor afirmou ainda que apesar das medidas enérgicas, todos os presos terão seus direitos resguardados e revelou que já foi criado um "gabinete de crise" para atuar neste momento crítico.
"É um momento difícil, mas que propicia grandes ações e mudanças. Desde já, estabelecemos um gabinete de crise para ver ações emergenciais para esfriar a situação e dar tratamento adequado aos problemas do sistema", afirmou.
Detentos fazem rebeliões em presídios de Aparecida de Goiânia, em Goiás (Foto: Juliane Monteiro/G1)
Semana de conflitos
O Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital foi atingido, nesta sexta-feira (5) pela terceira rebelião em menos de uma semana. Desta vez, o motim ocorreu na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), uma unidade de regime fechado do complexo - as outras duas foram na Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto. Segundo a Polícia Militar, não há registro de feridos.
A primeira rebelião ocorreu na última segunda-feira (1º), no presídio onde ficam presos do regime semiaberto. Detentos invadiram alas rivais por meio de um buraco feito na parede de uma das celas, que ficaram destruídas após a ação. Nove pessoas morreram e 14 ficaram feridas. Na terça-feira (2), a ministra Cármen Lúcia determinou que o TJ-GO realizasse a inspeção no prazo máximo de 48 horas.
Uma comissão composta por integrantes do TJ-GO, do Ministério Público Estadual (MP-GO), da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás – Seção Goiás (OAB-GO) realizou a vistoria, na quarta-feira (3). O parecer da visita, divulgado nesta tarde, cita uma série de irregularidades.
Rebelião atinge a Penitenciária Odenir Guimarães em Aparecida de Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
Na noite de quinta-feira (4), presos da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto fizeram uma nova rebelião. A polícia interveio e controlou a situação. Não houve mortos ou feridos, mas um reeducando fugiu.
A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que várias equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), do Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer) e do Choque foram enviadas para controlar a ação. A área em volta da unidade foi isolada por policiais.
Em nota, o Governo de Goiás tratou o caso como uma "tentativa de invasão de presos da ala C nas alas A, B e D". Disse que o serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública já monitorava a situação e que "houve tentativa de explosão de uma granada e troca de tiros", situação controlada pelos policiais. (G1)
Complexo Prisional de Segurança em Goiânia, Goiás (Foto: Vanessa Martins/G1)

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