'Estamos preparados para qualquer cenário eleitoral', diz presidente do BC

Fabio Braga - 30.out.2014/Folhapress 
Para o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, o consumo puxa a recuperação lenta da economia
O alto volume de reservas em dólar, a inflação baixa e a redução de contratos de swaps cambiais são algumas ferramentas que permitem ao Banco Central lidar com "qualquer cenário" de volatilidade nos mercados durante o período eleitoral deste ano, disse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nesta terça-feira.
"Estamos preparados para qualquer cenário neste ano", disse a autoridade monetária em entrevista à rádio Jovem Pan.
O primeiro turno das eleições presidenciais acontecerá no dia 7 de outubro, em um cenário polarizado e ainda sem certeza sobre uma possível participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgará um recurso do petista no dia 24 de janeiro contra condenação no caso do tríplex do Guarujá.
Em meio a um ciclo de afrouxamento dos juros que levou a taxa básica Selic à mínima histórica de 7% em dezembro, o BC sinalizou que há espaço para mais um corte na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de fevereiro, mas também avalia um volume maior de incertezas quando se compara à situação vivida nas reuniões passadas, afirmou.
"Sinalizamos que há possibilidade de uma redução moderada da flexibilização monetária, mas também falamos que tem mais incerteza dessa vez", disse, citando a ata da última reunião do Copom. "Vamos avaliar, tendo aí um mês e pouquinho para a decisão, vamos ver aqui como é que rola a conjuntura econômica."
A aprovação de ajustes e reformas, em especial as mudanças na Previdência Social atualmente em discussão no Congresso, permitem uma queda na taxa de juros estrutural da economia e, consequentemente, disse o presidente do BC na entrevista, abre mais espaço para a atuação do Copom.
"É sempre importante o governo, o Congresso, todo mundo avançar nas reformas, nos ajustes", afirmou. "O juro estrutural da economia fica menor quanto mais a gente fizer o dever de casa, como por exemplo a reforma da Previdência."
Os componentes de inflação sujeitos à influência direta da taxa básica de juros estão "em torno da meta", de acordo com o presidente do BC, que atribui à deflação dos preços de alimentos o eventual descumprimento da meta no ano passado.
"A parte que levou à inflação mais baixa (...) tem a ver com a parte que o Banco Central não tem controle direto, que é inflação de alimentos", explicou
Para 2018, o ideal é se concentrar em componentes "mais estáveis" para projetar o comportamento da inflação, apontou Ilan, ressaltando que preços administrados como gasolina, botijão de gás e eletricidade possuem mais volatilidade por serem reajustados em linha com preços internacionais. (folha)

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