Irã registra manifestações pró-governo após 6º dia de protestos de oposição

Ao menos 21 pessoas morreram durante os protestos iniciados na semana passada, incluindo dois membros das forças de segurança.
Manifestações pró-governo realizadas em várias cidades do Irã atraíram milhares de participantes nesta quarta-feira (3), após seis dias de protestos raros de opositores ao regime que pegaram a liderança do país de surpresa.
A televisão estatal iraniana transmitiu imagens ao vivo de passeatas em Kermanshah, Ilam e Gorgan nas quais os manifestantes portavam bandeiras do Irã e fotos do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.
O maior desafio à ordem estabelecida do Irã em quase uma década continuava na noite de terça-feira, e postagens e vídeos em redes sociais mostraram batalhões de choque atuando em várias cidades.
Horas mais cedo Khamenei havia acusado os inimigos da nação de fomentarem os distúrbios.
Mulher canta slogans de apoio ao governo em manifestação no Irã, nesta quinta-feira (3) (Foto: Tasnim News Agency/ Reuters)
Nesta quarta-feira, os manifestantes pró-governo expressaram seu apoio a Khamenei, bradando: "O sangue em nossas veias é um presente ao nosso líder" e "Não abandonaremos nosso líder".
Os protestos, que começaram devido aos problemas econômicos, adquiriram uma dimensão política rara, e um número crescente de jovens está pedindo a renúncia de Khamenei.
Essas são as maiores manifestações desde os tumultos que se seguiram à questionada reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2009.
Também nesta quarta, o chefe da ONU para os Direitos Humanos pediu que as forças do governo respeitem o direito dos manifestantes à liberdade de expressão. Em nota, Zeid Ra'ad al-Hussein também pediu uma investigação "imparcial e independente" sobre os atos de violência que ocorreram desde a semana passada.
Ao menos 21 pessoas morreram durante os protestos iniciados na semana passada, incluindo dois membros das forças de segurança.
Mais de 450 manifestantes foram presos na capital Teerã nos últimos dias, e centenas de outros foram detidos em todo país, segundo autoridades. O número de detidos chega a 1000, segundo a France Presse. Um funcionário do Judiciário disse à Reuters que alguns podem enfrentar a pena de morte.
Pessoas marcham em apoio ao governo iraniano nesta quarta-feira (3) (Foto: Tasnim News Agency/ Reuters)
"Os arruaceiros sediciosos deveriam ser executados", bradavam os participantes das marchas nesta quarta-feira, e cartazes que eles levavam diziam que "mãos ocultas" hostis guiadas pelos Estados Unidos, Israel e o Reino Unido deveriam ser decepadas.
Na tentativa de controlar o fluxo de informação e convocações de passeatas antigoverno, as autoridades de Teerã restringiram o acesso ao aplicativo de mensagens Telegram e ao Instagram, de propriedade do Facebook.
Os preços altos, a suposta corrupção e a má administração estão insuflando a revolta. O presidente Hassan Rouhani defendeu um acordo fechado com potências mundiais em 2015 para conter o programa nuclear iraniano em troca da suspensão da maioria das sanções internacionais, mas não conseguiu cumprir as promessas de prosperidade no país, onde o desemprego chegou a 28,8% no ano passado. (G1)

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