O mercado e sua irracionalidade

Responda rápido: em qual moeda você acredita mais, real ou dólar? Pois é. Podem eleger o Papa. Nem ele faria milagre diante de nosso desastre fiscal.
Por Lillian Witte Fibe
Efeito manada. (AE/VEJA)
Se o real está se valorizando frente ao dólar, é porque inspira mais confiança do que a moeda americana, certo?
É. Pode ser.
A bolsa brasileira, assim como o mercado cambial, festeja a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula como se todos os nossos males tivessem sido resolvidos por três desembargadores do Rio Grande do Sul.
Tudo bem, o efeito manada faz parte do negócio. Não haveria de ser diferente desta vez.
O velho Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central americano, cravou a expressão “exuberância irracional dos mercados”.
Verdade que ele errou ao não se precaver contra a crise mundial que estourou em 2008, mas essa é outra história.
E a euforia de agora do mercado brasileiro parece ser feita de tudo, menos de racionalidade.
É fato que estamos numa situação inusitadamente confortável em matéria de divisas estrangeiras.
Quando um país quebra, como quebraram Grécia e Venezuela, só pra dar dois exemplos recentes, é pela falta de reservas cambiais para honrar compromissos em dólar.
Nossas reservas, hoje, são recordes, o que nos deixa completamente a salvo de qualquer crise iminente. Contra esse perigo estamos mesmo blindados.
Mas: uma dívida pública que, em 4 ou 5 anos, salta de 50% para mais de 70% do PIB, sem esperança de parar de crescer, não pode ser vista como confortável em nenhum país emergente, especialmente naqueles que padecem, como o Brasil, de um crescimento anêmico.
Temos, sim, espaço (leia-se muito dólar) para aguentar o tranco, caso a oferta de moeda externa comece a secar, o que pode acontecer a qualquer momento, como é universalmente sabido.
Mas, dada a irresponsabilidade fiscal do governo Dilma, que só foi agravada por Temer, nosso futuro não é animador.
Não há candidato de centro, esse desconhecido pelo qual torcem desesperadamente os mercados, que resolva o problema.
Podem eleger o Papa, se quiserem.
Mas 2019 vem aí, com ou sem milagreiro vestindo a faixa presidencial.

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