Revisitando 2017: Os últimos meses do Ano do Espanto

Depois da apreensão dos R$ 51 milhões de Geddel Vieira Lima, em setembro, o ano chega ao fim com a prisão de Paulo Maluf e a libertação de Pizzolato
Por Augusto Nunes/veja
Confira os assombros que desenharam o fecho do Ano do Espanto:
Setembro
05/09
A Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões (R$ 42 milhões mais US$ 2,688 milhões) num apartamento de Geddel Vieira Lima localizado no bairro da Graça, em Salvador. A descoberta do imóvel com vista para o mar de dinheiro sujo resultou na maior apreensão em cédulas já registrada no Brasil.
08/09
Ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal de Dilma e ex-secretário de Governo de Michel Temer, Geddel Vieira Lima teve a prisão domiciliar revogada e foi devolvido ao regime fechado.
14/09
(Cristiano Mariz/VEJA)
Na última semana como procurador-geral da República, Rodrigo Janot apresentou a segunda denúncia contra Michel Temer, enquadrando o presidente nos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça.
19/09
Lula virou réu pela sétima vez na Operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação amparou-se em revelações extraídas de um depoimento de Antônio Palocci, que acusou Lula de receber propina da Odebrecht na compra de um terreno para o Instituto Lula, em São Paulo, e no aluguel de um apartamento em São Bernardo do Campo ao lado do imóvel onde mora.
20/09
Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, foi condenado a 45 anos e 2 meses de prisão por bandalheiras descobertas pela Operação Calicute.
22/09
A pedido do Ministro da Defesa, Raul Jungmann, as Forças Armadas cercaram a favela da Rocinha para conter os confrontos entre facções criminosas. Quase 30 mil estudantes ficaram sem aulas.
26/09
Por 3 votos a 2, os ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal afastaram novamente o senador Aécio Neves do exercício do mandato. Eles também negaram por unanimidade o pedido de prisão contra o senador feito pela Procuradoria-Geral da República.
Outubro
02/10
Da janela do 32° andar do hotel-cassino Mandala Bay, em Las Vegas (EUA), o americano Stephen Paddock atirou em civis que assistiam a um show de música country. Cerca de 500 pessoas ficaram feridas e 59 morreram.
11/10
Graças ao voto de Minerva da presidente Cármen Lúcia, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a perda definitiva do mandato de um senador precisa ser aprovada pelo Poder Legislativo.
17/10
Por 44 votos a 26, o Senado devolveu o mandato a Aécio Neves e derrubou as medidas cautelares impostas pelo STF. Um dos destaques da sessão foi o voto esquizofrênico de Pedro Chaves (PSC-MS), único integrante do partido no Senado: minutos depois de ocupar a tribuna para recomendar à bancada que condenasse Aécio, votou a favor do colega do PSDB.
18/10
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou por 39 votos a 26 o arquivamento da denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). A trinca foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República por organização criminosa com base nas delações de Joesley Batista e Lúcio Funaro.
25/10
O plenário da Câmara dos Deputados arquivou a segunda denúncia contra Michel Temer. Para comemorar o resultado, o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) criou a Dança da Vassalagem.
26/10
Os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso protagonizaram um animado bate-boca durante a sessão do Supremo Tribunal Federal que analisava uma emenda à Constituição do Ceará que extinguiu o Tribunal de Contas dos Municípios. A discussão escancarou a divisão que existe na Corte.
Novembro
02/11
Ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois (PSDB-BA) escreveu um documento de 207 páginas para corrigir o que considerou uma gravíssima injustiça pecuniária. Ela achava que merecia embolsar tanto o salário de desembargadora aposentada quanto o de ministra, o que somaria mais de R$ 60 mil por mês. Entre outras alegações, Luislinda argumentou que apropriar-se apenas do salário de R$33,7 mil é “uma situação, sem sombra de dúvidas, semelhante ao trabalho escravo”.
11/11
A reforma trabalhista proposta pelo governo de Michel Temer entrou em vigor. Entre outras distorções, eliminou o imposto sindical.
16/11
Os deputados estaduais Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Paulo Melo e Edson Albertassi se entregaram à Polícia Federal depois de terem a prisão decretada pelo TRF-2. No dia seguinte, a Alerj revogou a prisão do trio. Manifestantes que protestavam em frente à Casa foram impedidos de acompanhar a votação.
19/11
Robert Mugabe, ditador do Zimbábue disfarçado de presidente, foi destituído pelo Exército depois de anunciar que transferiria para a mulher o cargo que ocupava havia 37 anos.
21/11
Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi foram novamente presos por determinação do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
22/11

Durante mais um tour pela Europa, bancado pelos pagadores de impostos, a ex-presidente Dilma Rousseff fez uma escala em Portugal para envergonhar os brasileiros com uma entrevista em dilmês alcoólico.
A Polícia Federal prendeu os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, do PR, por corrupção, organização criminosa e crimes eleitorais. Uma semana depois, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro concedeu habeas corpus a Rosinha, que deixou a prisão, mas continuou sendo monitorada por tornozeleira eletrônica.
23/11
Por 3 votos a 2, a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, aceitou o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público Federal e a ex-primeira-dama do Rio de Janeiro Adriana Ancelmo voltou para a cadeia.
Dezembro
04/12
Geddel Vieira Lima, seu irmão Lúcio Vieira Lima e a mãe da dupla, Marluce Vieira Lima, foram denunciados por Raquel Dodge, procuradora-geral da República. O bando é acusado de lavagem de dinheiro e associação criminosa. A matriarca teve decretada a prisão domiciliar.
07/12
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, do uso obrigatório da tornozeleira eletrônica e também da prisão domiciliar.
15/12
Uma pesquisa do IBGE revelou que continuam onde sempre estiveram os pobres que Lula e Dilma juraram ter transferido para a classe média. Segundo o levantamento, 50 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza em 2016.
18/12
Por determinação de Gilmar Mendes, Adriana Anselmo ganhou novamente o benefício da prisão domiciliar.
19/12
Adriana Ancelmo e o marido, Sérgio Cabral (Vera Donato/Estadão Conteúdo)
Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, foram condenados mais uma vez pela Lava Jato. As penas do ex-governador do Rio de Janeiro somam — por enquanto — 87 anos de prisão.
O ministro Gilmar Mendes proibiu a realização de conduções coercitivas em todo o país para interrogar investigados. Com o recesso do Judiciário, a decisão deverá ser submetida ao plenário do STF só a partir de fevereiro de 2018.
20/12
(Reprodução/Reprodução)
Aos 86 anos, o deputado federal Paulo Maluf começou a cumprir a pena de prisão que puniu um dos incontáveis crimes que cometeu. Até o momento, todos os pedidos de habeas corpos em favor do político foram negados.
No escurinho da noite, Gilmar Mendes aproveitou o começo do recesso do Judiciário para acionar sua fábrica de habeas corpus e colocar em liberdade Anthony Garotinho e o presidente do PR, Antonio Carlos Rodrigues.
22/12
Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, mandou retirar a tornozeleira eletrônica de Rosinha Garotinho e suspendeu o recolhimento noturno imposto à ex-governadora do Rio de Janeiro.
Michel Temer ampliou o indulto de Natal e tornou mais brandos os critérios para que um presidiário possa receber a extinção da pena. Na prática, o insulto ao Natal e ao Brasil decente, acabaria por beneficiar condenados por corrupção.
28/12
(Adriano Machado/Reuters)
A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, suspendeu o indulto de Natal assinado por Michel Temer. A decisão atendeu ao pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A procuradora alegou que a medida colocava em risco a Operação Lava Jato e “materializava o comportamento de que o crime compensa”. O caso deverá ir ao plenário do Supremo depois do recesso do Judiciário.
Condenado no processo do mensalão a 12 anos e 7 meses de prisão, Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, deixou a cadeia. O benefício foi concedido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Pizzolato, que fugiu para a Itália em 2013 para não ser preso e foi extraditado para o Brasil em 2015, cumpria pena em regime semiaberto desde maio deste ano.

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