Roberto Jefferson repreende Cristiane Brasil por vídeo em barco

Presidente do PTB, pai da deputada insiste em torná-la ministra do Trabalho, mas criticou filha e comentários “machistas” sobre gravação
Depois do polêmico vídeo em que a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) se defende de acusações trabalhistas ao lado de homens sem camisa, Roberto Jefferson – pai dela – se pronunciou sobre o caso. Presidente do PTB nacional e responsável pela indicação da parlamentar ao Ministério do Trabalho, o ex-deputado usou as redes sociais para se pronunciar a respeito do caso nesta terça-feira (30/1).
“Sobre o vídeo, a repercussão fala por si. Também teve muita deturpação. Eram famílias no barco, havia crianças passando. Dito isso, penso que uma figura pública deve se portar como uma figura pública, e usar ferramentas como Facebook e Instagram apenas em caráter institucional”, comentou Jefferson em uma postagem na rede social (veja abaixo).
No texto, o parlamentar também indica que a filha recebeu mensagens machistas após a publicação do vídeo. “Aliás, como tem troglodita nas redes, hein? Menos moralismo e menos machismo, por favor”, afirmou. No entanto, Jefferson não retirou, em momento algum, a indicação do nome de Cristiane para a pasta do Trabalho.
A gravação é apenas a última das polêmicas envolvendo Cristiane Brasil. Em 3 de janeiro, a deputada federal foi nomeada para assumir o Ministério do Trabalho. No entanto, a posse foi suspensa repetidamente após decisões do Tribunal Regional federal da 2ª Região (TRF-2).
Para a Corte, existe uma inadequação moral na indicação da parlamentar para a pasta, já que ela possui condenações justamente por desrespeitar leis trabalhistas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a permitir a posse da deputada, mas a decisão foi derrubada temporariamente pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia: o mérito do caso ainda será analisado pelo STF. Durante todo o impasse, Roberto Jefferson tem refutado a possibilidade de trocar o nome da filha por de outro petebista para assumir o Ministério do Trabalho.
No vídeo responsável pela polêmica, publicado no Facebook, a deputada se defende das acusações relativas à condenação pela Justiça trabalhista. “Eu tenho pra falar para vocês o seguinte. Todo mundo tem direito de pedir qualquer coisa na Justiça. Todo mundo pode pedir qualquer coisa abstrata”. E continua: “O negócio é o seguinte. Quem é que tem direito, ainda mais na Justiça do Trabalho? Eu juro para vocês que eu não achava que eu tinha nada a dever contra essas duas pessoas que entraram contra mim”.


Perplexidade
Também nesta terça-feira (30), o Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes (Mati) publicou nota alegando “perplexidade e indignação” diante do vídeo. Para a entidade, os argumentos da deputada tentam “transparecer para a sociedade uma visão míope e preconceituosa de que a culpa pela existência de ações trabalhistas seria do trabalhador.”
Ainda de acordo com a Mati, “tal opinião causa ainda mais perplexidade, porquanto vinda de uma parlamentar filiada a um partido supostamente trabalhista, ou seja, que, em tese, teria como princípio básico a defesa do direito do trabalho e dos trabalhadores”.
O movimento pede ainda que o governo federal “entenda a gravidade da nomeação e escolha um outro nome que seja realmente qualificado e de reputação ilibada para o cargo.”
Confira a nota da entidade na íntegra:
O MATI, Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes, vem a publico externar sua perplexidade e indignação acerca do vídeo da Sra. Cristiane Brasil, e amplamente divulgado nas redes sociais, no qual banaliza o fato de ser Ré e devedora em ações trabalhistas.
Tal atitude tenta transparecer para a sociedade uma visão míope e preconceituosa de que a culpa pela existência de ações trabalhistas seria do trabalhador. Tal opinião causa ainda mais perplexidade, porquanto vinda de uma parlamentar filiada a um partido supostamente trabalhista, ou seja, que, em tese, teria como princípio básico a defesa do direito do trabalho e dos trabalhadores.
Além de contraditória, a declaração dela constitui-se em prova cabal de que a Deputada de fato não possui as mínimas condições para o exercício do cargo de ministra do trabalho.
Por fim, lamentamos a declaração absurda de que iria ” provar ” que nada devia pois, como se sabe, seus processos trabalhistas foram julgados e transitaram em julgado, não havendo mais discussões sobre sua condenação perante o Judiciário.
Reiteramos nosso objetivo como movimento de defesa do direito do trabalho e do acesso à justiça, como condição para alcance da dignidade da pessoa humana, bem como de combate aos retrocessos trazidos pela malfadada reforma trabalhista.
Esperamos que o Governo Federal entenda a gravidade da nomeação e escolha um outro nome que seja realmente qualificado e de reputação ilibada para o cargo
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(metrópoles)

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