Aglomeração de refugiados na Grécia eleva risco de violência sexual, diz ONU

Em 2017, o Acnur registrou 622 casos de violência sexual contra refugiados nas ilhas gregas. Situação é particularmente preocupante nos Centros de Recepção e Identificação em Lesbos e Samos, onde vivem 5.500 pessoas.
Imigrantes e refugiados chegam à ilha de Lesbos, na Grécia, após cruzar o mar Egeu vindos da Turquia (Foto: Aris Messinis/AFP)
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) denunciou nesta sexta-feira (9) que as mulheres e crianças refugiadas nas ilhas gregas enfrentam um elevado risco de violência sexual pelas circunstâncias de aglomeração e insegurança dos centros de recepção.
Em entrevista coletiva, a porta-voz do Acnur Cécile Pouilly exigiu novas ações para abordar a aglomeração e "as nefastas condições de vida" nos centros de recepção, as duas principais causas dos abusos contra mulheres e crianças, sobretudo as que viajam sozinhas.
Cécile comemorou as medidas tomadas até agora pelo governo grego, mas lembrou que ainda "não são suficientes".
Em 2017, o Acnur registrou 622 casos de violência sexual contra refugiados nas ilhas gregas. Segundo a porta-voz, a situação é particularmente preocupante nos Centros de Recepção e Identificação (RIC, na sigla em inglês) em Lesbos e Samos, onde vivem 5.500 pessoas, o dobro das suas capacidades, e nos quais os casos de violência sexual e abusos são particularmente elevados.
Nestes centros, os banheiros não são locais seguros para as mulheres durante a noite a não ser que estejam acompanhadas, e inclusive usá-los de dia pode ser perigoso, disse Cécile.
A porta-voz advertiu que a identificação de sobreviventes é difícil, já que as vítimas "são reticentes a denunciar os ataques por medo, vergonha, falta de apoio e preocupações sobre uma possível discriminação ou posterior estigmatização".
Quanto às condições de segurança, Cécile destacou que as patrulhas policiais também são "insuficientes", sobretudo durante a noite, e que não cobrem as áreas adjacentes aos RICs, onde existem acampamentos improvisados com tendas e sem a presença de segurança.
Neste sentido, o Acnur alertou que a situação está gerando frustração e tensão entre os refugiados, o que aumenta o risco de violência sexual contra as mulheres.
Entre as medidas propostas pela agência da ONU para fazer frente à situação se destacam a separação por gênero dos residentes para evitar que as mulheres dividam teto com homens desconhecidos, e também nos banheiros, que devem ter uma melhor iluminação e segurança.
O Acnur também defendeu melhores condições e serviços, incluindo assistência médica e psicológica, um aumento da presença policial, uma maior iluminação nas áreas públicas e maiores esforços para aliviar a situação da aglomeração, além do envio de pessoal especializado no tratamento de vítimas de violência sexual.
Em Lesbos, 30 especialistas - médicos, psicólogos e assistentes sociais - compartilham três salas nas quais devem examinar seus pacientes sem nenhuma privacidade, o que afeta suas condições de trabalho e também sua capacidade de identificar e ajudar as vítimas, denunciou o Acnur. (G1)

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