Bovespa muda de rumo e opera em alta, em dia de instabilidade nos mercados globais

Na véspera, o índice caiu 2,59%, na esteira do mau humor nos mercados globais; investidores acompanham incertezas sobre economia americana e balanço de empresas brasileiras.
O principal índice da bolsa de valores brasileira (B3) mudou de rumo e passou a subir nesta terça-feira (6), após a abertura de Wall Street. Nos Estados Unidos, os principais índices de ações osciliam, após queda brusca no pregão anterior.
Às 15h01, o Ibovespa subia 1,36%, a 82.975 pontos. Nos primeiros negócios, a bolsa chegou a cair mais de 1%, tocando a mínima de 80.804 pontos.
A bolsa paulista abriu sob a influência do quadro externo adverso, mas a pressão de queda foi atenuada após a abertura das bolsas norte-americanas e as ações brasileiras retomaram o viés de alta.
O índice Dow Jones, que é o principal indicador da bolsa de valores de Nova York, abriu em queda e oscila ao longo do dia. Às 15h01 (horário de Brasília), o Dow Jones operava em queda de 0,05%.
No Brasil, o noticiário corporativo pressiona a bolsa para uma valorização. As ações do Itaú e TIM são destaques positivos - ambas divulgaram resultado financeiro do quarto trimestre na segunda-feira à noite e seguem em alta neste terça.
Itaú Unibanco PN subia após o banco anunciar que pagará R$ 17,6 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) relativos a 2017.
'Houve exagero ontem', diz analista
Segundo o economista-chefe da gestora Infinity Asset, Jason Vieira, o estresse diminuiu na bolsa brasileira nesta terça-feira em linha com os juros futuros nos Estados Unidos, que iniciaram o dia "mais comedidos".
Para ele, o contexto é de correção. "Janeiro foi muito forte, tivemos dois recordes quebrados no Dow Jones e aqui (na B3) não foi muito diferente. Houve um exagero ontem, há de se notar isso, mas temos que esperar para determinar se (a tendência de queda) vai ser um padrão", disse aoG1.
Vieira avalia que o dia pode ser de flutação nos mercados por conta da ausência de agenda para indicadores macroeconômicos no exterior e, no Brasil, da espera da reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) que anuncia na quarta-feira (7) se fará novos cortes na taxa básica de juros.
Operador do mercado financeiro em frente à bolsa de Nova York em dia de forte queda do índice Dow Jones (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)
Analistas ouvidos pela Reuters dizem que as perdas da bolsa local na segunda-feira abaixo das registradas em Nova York se justificam pelo fato de que prevalece a visão de que a onda de vendas é passageira e, até certo ponto, saudável. Para eles, a recente alta das bolsas americanas havia sido muito intensa e rápida, gerando uma condição técnica arriscada.
As ações brasileiras sentiram os efeitos do fechamento bastante negativo nos pregões dos Estados Unidos na segunda-feira, quando o Dow Jones despencou 4,6%, e uma madrugada ainda pessimista na Ásia e Europa. Na segunda-feira (5), o Ibovespa teve queda de 2,59%, a 81.861 pontos.
Temores sobre os juros nos EUA
A terça-feira começou sob efeito de uma forte correção técnica nas principais praças acionárias globais, iniciada em Nova York na véspera, em meio a receios de que o banco central dos Estados Unidos possa adotar um processo mais rápido de alta das taxas de juros norte-americanas.
Entenda o que fez as bolsas do exterior recuarem
Os mercados reagiram a uma eventual ação mais agressiva do banco central norte-americano na alta dos juros. O temor é que, com o mercado de trabalho aquecido, aumentem as pressões inflacionárias. Dados divulgados na sexta-feira passada mostram que os salários avançaram 2,9% em janeiro, na comparação com o ano anterior, a maior alta em um ano registrada em 12 meses.
Esse número pode indicar que as pressões inflacionárias estão mais fortes nos EUA e influenciar as futuras decisões do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sobre a taxa de juros americana. Uma eventual alta dos juros influencia negativamente o mercado acionário.
"O mercado esperava que ele subisse os juros em 0,75% nesse ano, mas, com a divulgação de dados mais fortes da atividade econômica, disseminou-se o receio de que ele suba mais", afirma o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.
"Como os juros mais longos estavam bem baixos, desde que os bancos centrais iniciaram seus programas de estímulos, chamados Quantitative Easing, os preços de ações, moedas e títulos estavam bem valorizados em todo o mundo. A perspectiva de uma elevação mais forte disparou um movimento de corrida dos agentes econômicos para a proteção de suas carteiras de investimentos", completa.
Bolsas na Ásia e Europa
O pessimismo no mercado financeiro americano também influenciou as bolsas internacionais e a cotação do dólar frente às demais moedas. Em relação ao real, a moeda fechou em alta de 0,99% nesta segunda, cotado em R$ 3,2467.
Na Ásia, o índice Nikkei de Tóquio fechou em queda de 4,73%, aos 21.610,24 pontos. Foi a maior baixa desde novembro de 2016. O Topix, segundo principal indicador, caiu 4,4%, no mesmo momento, para 1.743,41 pontos.
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 2,94%, enquanto o índice de Xangai caiu 3,38%, a maior queda diária desde fevereiro de 2016.
No início desta manhã, a maioria das bolsas europeias também caíam. A Bolsa de Valores de Londres abriu em baixa de 3,44 %. O índice Stoxx 600, que representa ações de companhias de 17 países do bloco, também recuava: 2,8%. O índice DAX, que concentra ações alemãs, caía 3,6%, a maior baixa intradia desde junho de 2016. Na Rússia, a bolsa tinha baixa de 2,1%, a maior desde julho.
A bolsa de Madri (Ibex-35) recuava 2,53%, a de Paris (CAC-40), abriu em baixa de 3,05% e a de Frankfurt (DAX-30), em queda de 3,3%. (G1)

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