Câmara dos EUA aprova memorando democrata sobre a Rússia

Estudo é resposta a outro documento publicado na semana passada pelo Partido Republicano contra o FBI
O Congresso dos Estados Unidos, em Washington DC (Shutterstock/Getty Images/VEJA)
Uma comissão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou de forma unânime, na segunda-feira, a divulgação de um documento confidencial que, segundo democratas, refutará um memorando republicano polêmico que alega que o FBI é tendencioso em relação ao presidente Donald Trump na investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016.
Como resultado da votação, o memorando democrata de 10 páginas foi enviado à Casa Branca ainda na noite de segunda-feira. Trump terá até sexta-feira para decidir se permite ou não sua divulgação.
Se o presidente rejeitá-lo depois de ter aprovado a divulgação do memorando republicano, apesar das fortes objeções do FBI, pode se iniciar uma disputa agressiva que lançaria a Casa Branca e muitos dos colegas republicanos de Trump no Congresso contra democratas e agências da lei e da inteligência.
Uma semana atrás os republicanos, que têm maioria na comissão, uniram forças para impedir a divulgação do memorando democrata e aprovar o texto de seu partido, apesar da oposição democrata unânime. Mas, na segunda-feira integrantes republicanos do comitê disseram estar despreocupados com a divulgação do documento democrata, agora que ele foi analisado por membros da Câmara.
O memorando republicano acusa autoridades graduadas do FBI e do Departamento de Estado de espionarem de forma ilegal Carter Page, ex-assessor de campanha de Trump, suspeito de envolvimento com autoridades russas durante as eleições de 2016. O presidente permitiu sua divulgação na sexta-feira passada.
Os democratas acreditam que a publicação do documento republicano visou minar a investigação criminal do Procurador Especial, Robert Mueller, a respeito de um possível conluio entre Moscou e a campanha de Trump. Também suspeitam que o presidente possa tentar usá-lo para justificar a demissão de Mueller ou de Rod Rosenstein, o segundo funcionário mais graduado da Justiça, que assinou ao menos um pedido de mandato contra Page.
A disputa, uma ruptura extraordinária entre a Casa Branca e as forças da lei, também aprofundou o rancor partidário contra as investigações parlamentares sobre a Rússia e a eleição de 2016, provocando dúvidas sobre a capacidade dos parlamentares para produzirem relatos imparciais.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira mostrou que quase três de cada quatro republicanos acreditam que o FBI e o Departamento de Estado estão tentando minar Trump, uma mudança radical em um partido que historicamente tem sido um grande apoiador das agências da lei.  (veja)

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