Estados Unidos colocam líder do Hamas em sua lista negra de terroristas

Chefe do movimento que controla Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh 'ameaça a estabilidade do Oriente Médio e esteve envolvido em ataques terroristas contra cidadãos israelenses', segundo secretário de Estado americano.
O líder do Hamas, Ismail Haniya, durante discurso em 23 de janeiro (Foto: Mahmud Hams/AFP)
Os Estados Unidos incluíram nesta quarta-feira (31) o líder do movimento palestino Hamas, Ismail Haniya, em sua lista negra de "terroristas", em meio à forte tensão entre Washington e os palestinos após o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por Donald Trump.
O anúncio do Departamento de Estado "não desanimará" a "resistência" contra Israel, assegurou o movimento Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007.
"A decisão americana de incluir Haniya na lista de terroristas é uma tentativa frustrada de pressionar a resistência", acrescentou o grupo.
O chefe do movimento "ameaça a estabilidade do Oriente Médio" e esteve "envolvido em ataques terroristas contra cidadãos israelenses", disse anteriormente o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, citado em comunicado.
Desde 1997 o Hamas foi incluído nesta lista de "organizações terroristas estrangeiras". Haniya, de 55 anos, "tem vínculos próximos com a ala militar do Hamas e tem sido o promotor da luta armada, incluindo contra civis", acrescentou a nota oficial.
"É suspeito de estar envolvido em ataques terroristas contra os israelenses" e o movimento "é responsável pela morte de 17 americanos durante ataques terroristas", detalhou o Departamento de Estado.
O coordenador do Departamento de Estado para o Contraterrorismo, Nathan Sales, evocou nesta quarta-feira em uma conferência em Tel Aviv o "respaldo" do Irã ao Hamas e outros "grupos terroristas palestinos", aos quais "potencialmente destinou até US$ 100 milhões por ano".
Esta decisão é tomada em um momento em que o Hamas concluiu um frágil acordo do reconciliação com o presidente palestino, Mahmud Abbas, para criar um governo de união depois de mais de 10 anos de confrontos. Mas o processo parou.
As tensões entre os Estados Unidos e os palestinos estão em seu momento mais crítico, depois que o presidente Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel no fim de 2017.
"Linhas vermelhas"
Se um acordo permitiria reunir a Faixa de Gaza e a Cisjordânia sob um mesmo comando, também deixaria questionamentos. Israel e os Estados Unidos anunciaram suas condições para tratar com um governo de unidade: o reconhecimento de Israel, renúncia à violência e o desarmamento do Hamas.
Ismael Haniya considerou que "todas as linhas vermelhas" foram rebaixadas, enquanto a Autoridade Palestina rejeitou uma mediação de Washington nas negociações de paz com Israel.
O presidente Abbas não se encontrou com o vice-presidente americano, Mike Pence, durante sua visita à região em meados de janeiro.
"Faltaram ao respeito conosco", protestou Trump na semana passada, ameaçando deixar de enviar "centenas de milhões" aos palestinos. O Departamento de Estado já congelou mais da metade de sua contribuição à agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA).
Ao ser parte desta lista, o Departamento do Tesouro congela qualquer bem ou propriedade de Haniya nos Estados Unidos e proíbe que empresas e cidadãos americanos façam negócios com ele.
O Departamento de Estado também incluiu em sua lista negra Harakat al-Sabireen, um pequeno grupo militante que se separou da Jihad islâmica perto do Irã e que opera em Gaza, e outros dois grupos ativos no Egito: Liwa al-Thawra e HASM.
"Estas designações apontam para grupos terroristas fundamentais e líderes, incluindo dois apoiados e dirigidos pelo Irã, que estão ameaçando a estabilidade do Oriente Médio, socavando o processo de paz e atacando nossos aliados de Egito e Israel", disse Tillerson. (G1)

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