Intervenção parcial evitou estado de defesa ou intervenção total

POR MÍRIAM LEITÃO/O GLOBO
A solução para o Rio foi desenhada cuidadosamente. A decisão de fazer este tipo de intervenção parcial foi tomada porque havia a preocupação de que, em uma intervenção total no Rio de Janeiro, o próprio processo eleitoral estadual poderia ser contaminado. Ou daria essa impressão aos eleitores. Além disso, intervenção total seria um processo mais traumático, com o afastamento do governador. Mas a ideia foi abandonada, não para poupar o governador do PMDB, mas porque considerou-se que realizar as eleições com o Estado sob intervenção poderia impactar até psicologicamente o eleitor. É esse tipo de interferência no processo que se evitou ao optar-se pela intervenção parcial.
Outro caminho constitucional afastado foi o de decretar estado de defesa. Porém, o estado de defesa dá a quem exerce o poder o direito de interferir em tudo, inclusive em direitos de reunião e manifestação e nas comunicações telegráfica e telefônica. Por isso essa hipótese foi totalmente afastada.
Diante disso, escolheu-se a intervenção parcial porque o problema agudo é localizado na segurança. E é nesse foco que é preciso atuar com um comando mais claro.
O general Braga Netto terá plenos poderes. Poderá reorganizar todo o setor, contratar, demitir. Assume as funções de um verdadeiro governador na área de segurança e se reporta diretamente ao presidente da República.
Tudo isso foi decidido depois de muitos debates, nas várias reuniões que houve no governo sobre a crise da segurança do Rio. Foram pelo menos cinco encontros desde a terça-feira de carnaval, que foi se ampliando. Um evento que foi considerado emblemático do perigo que corre o Rio foi o de que moradores de São Conrado estavam recebendo cobrança de pagamento por supostos “serviços”de segurança prestados pelo narcotráfico (leia no blog do Ancelmo).

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