Jungmann diz que migração de criminosos do Rio é 'plausível' e causa 'preocupação'

Ministro da Defesa se reuniu com militares e com o presidente Michel Temer na manhã desta quinta-feira. Ele disse que interventor deverá apresentar o planejamento na semana que vem.
Jungmann deu entrevista após reunião no Ministério da Defesa com a participação do presidente Michel Temer (Foto: Guilherme Mazui)
O ministro da Defesa, Raul Jungmann disse nesta quinta-feira (22) que a a possibilidade de migração de criminosos do Rio de Janeiro para outros estados é "plausível" e causa "preocupação".
Ele deu a declaração ao ser questionado por jornalistas se há o risco de a intervenção federal na segurança pública do Rio dispersar bandidos para outras regiões.
O ministro afirmou que o crime foge de onde há uma "eficácia maior" das forças de segurança e que esse fenômeno ocorre não só de um estado para o outro, mas também dentro dos estados.
“Acho que é plausível [migração de criminosos do Rio], porque essa migração ocorre, por exemplo, dentro do Rio de Janeiro, ocorre dentro de Pernambuco, ocorre dentro de Goiás. Onde você tem uma eficácia maior das forças de segurança, o crime certamente migra. E nós temos, sim, essa é uma preocupação que a gente tem”, disse o ministro.
Jungmann também foi foi perguntado sobre o que o governo fará para evitar que o crime migre para estados vizinhos ao Rio. Ele disse que o futuro ministro da Segurança Pública deverá tratar do tema com os governadores.
“É claro que preocupa e é claro que é importante ter a cooperação desses estados. Acredito que o futuro Ministério da Segurança debruçar-se-á sobre isso em conjuntos com esses governos”, disse.
Jungmann participou no ministério de uma reunião do Conselho Militar de Defesa, que abrange oficiais das Forças Armadas, na qual também esteve presente o presidente Michel Temer. O ministro disse que a intervenção não foi tema do encontro.
Mais cedo nesta quinta, houve uma reunião com o ministro da Justiça, Torquato Jardim e os secretários da Segurança Pública de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, estados que fazem divisa com o Rio. Após o encontro, os secretários afirmaram que não estão preocupados com a migração de criminosos do Rio de Janeiro para seus estados e que vão intensificar a fiscalização nas divisas por "precaução".
Plano de trabalho da intervenção
O ministro afirmou ainda que espera que o general Walter Braga Netto, escolhido pelo presidente Michel Temer para ser o interventor, apresente na próxima semana o planejamento da intervenção.
O ministro afirmou que, pelas conversas que tem tido com Braga Netto, o interventor deve apresentar o planejamento da operação, prevista para durar até 31 de dezembro deste ano, sera apresentado em entrevista coletiva à imprensa.
"Na próxima semana, espero eu, ele estará apresentando, fazendo coletiva, e iniciará, eu diria assim um fluxo de comunicação comum com vocês", disse o ministro a jornalistas.
"Eu creio, pelo o que ele me disse, pela informação que eu tive com ele, sim. Ele fará isso. Está trabalhando intensamente", continuou Jungmann.
Durante a intervenção, Braga Netto tem poderes de governo na estrutura de segurança fluminense, o que inclui as polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e o sistema carcerário do estado.
Além da intervenção, que o governo classifica como administrativa, desde julho de 2017 militares das Forças Armadas atuam em operações no Rio, mantidas por um decreto de garantia da lei e da ordem (GLO).
Temer na reunião do conselho
A participação do presidente na reunião com militares ocorreu quase uma semana após ele assinar o decreto de intervenção na segurança do Rio de Janeiro e nomear um general do Exército como interventor.
Segundo a assessoria do Ministério da Defesa, essa foi a primeira visita oficial de um presidente ao ministério e a primeira participação de um presidente na reunião do Conselho Militar de Defesa.
Após a reunião, Temer almoçou com o ministros e os militares. Em seguida, deu uma rápida declaração à imprensa, na qual afirmou que houve no encontro uma “exposição sistêmica” das ações das Forças Armadas.
"Ao mesmo tempo eu tive a oportunidade de conhecer aquilo que parceladamente eu já conheço, naturalmente, as várias atividades das Forças Armadas, mas hoje houve uma exposição sistêmica de tudo aquilo que as Forças Armadas fazem", disse Temer.
O conselho é presidido pelo ministro da Defesa e composto pelos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.
O colegiado realiza reuniões periódicas e, segundo o Ministério da Defesa, assessora a “presidência com relação a normas gerais relacionadas à organização, preparo e emprego das Forças Armadas”.
Conforme a assessoria do Planalto, participaram da reunião desta quinta com Temer o ministro Raul Jungmann, os comandantes da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e da Aeronáutica, Nilvaldo Rossato.
Também estiveram no encontro o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen, e o general Joaquim Silva e Luna, secretário-geral do Ministério da Defesa. (G1)

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