Professor Ton morre após levar choque elétrico no jardim de casa

Professor Wellington Soares Pires, o professor Ton, teve uma parada cardíaca ao levar um choque elétrico enquanto aparava a grama do jardim.
Professor Tom gostava de pescar, cozinhar e reunir os
amigos e a família (foto: Arquivo pessoal)
Professor Tom gostava de pescar, cozinhar e reunir os amigos e a família(foto: Arquivo pessoal)Alunos, amigos, colegas e familiares do professor Wellington Soares Pires, o famoso professor Ton, choram neste sábado a morte do mestre, que foi exemplo para inúmeros estudantes de Brasília. No início da noite dessa sexta-feira (16/2), o professor aparava a grama do jardim de casa quando levou um choque na máquina que operava e não resistiu a uma parada cardiorespiratória. Ele deixa a mulher, Alessandra; três filhas – Tahyane, Angélica e Carina –; quatro netos; amigos e incontáveis alunos de luto. 
Mineiro de Manhuaçu, município distante 290 quilômetros de Belo Horizonte, o mestre Ton Pires faria 60 anos em 1º de março próximo. Os amigos contam que ele estava em Brasília havia mais de 40 anos, onde fez carreira no Centro Educacional Sigma, passando também pelos colégios JK, Visão e Marista.
Os Desocupados, grupo de WhatsApp que reunia amigos mais próximos de Ton, perderam um membro agregador. "Quando a gente demorava para se encontrar, ele brigava", conta o também professor Fernando da Silva Nunes, amigo há mais de três décadas. "Antes mesmo do profissional, o exemplo dele era como homem, como pessoa. Não conseguia ver ninguém sofrer, que queria ajudar. Mesmo aposentado, não parou de dar aulas. Dizia: 'o dia que eu parar, é porque o mundo acabou'", relembra. 
Na manhã deste sábado, parte dos Desocupados amanheceu na casa da família. O professor Jorge bem que tentou falar sobre Ton. "É um amigo de muito tempo, mais de 30 anos. Fazia churrasco, gostava de uma pescaria… um irmão pra mim…". Foi o que conseguir dizer antes de ser tomado pela emoção. 
Cada palavra sobre o professor Ton era carregada com um misto de tristeza, admiração e alegria. "Ele gostava de fazenda. Adorava pescar. Eu mesmo não pescava nada. Era o secretário dele", brinca o professor Fernando Nunes. 
Em nota, o colégio Sigma lamentou a perda da família e de toda comunidade acadêmica que teve o prazer de trabalhar com Ton. "Hoje a família Sigma se despede de uma grande companheiro de jornada, que muito contribuiu para a história do Sigma e da educação em Brasília. Ton marcou-nos com sua energia, com sua solidariedade e dedicação em tudo o que se envolvia.
Ficamos com sua alegria, bom humor e paixão pela vida. Um exemplo de amigo, profissional e pai", dizia a nota.
Outro colega de trabalho e amigo pessoal, o professor Paulo Macedo lembra que Ton foi coordenador da cadeira de inglês no Sigma e no Colégio JK. "A principal imagem que guardo dele é a de um companheiro, de uma pessoa feliz, sorridente, um homem de família muito preocupado com todos ao seu redor", resume.
Com a professora de literatura Maria Helena, a relação era de irmandade. Para traduzir o turbilhão de emoções do momento, ela usou uma frase enviada ao grupo de professores do colégio. "Disseram que um acontecimento desses prova o quão frágil é nossa existência e nos mostra como é importante estarmos próximos. É um privilégio ter compartilhado parte da minha vida com Ton. Ele não era meu amigo, mas um irmão na essência verdadeira da palavra", emenda.
Coordenador de redação do Sigma, Eli Guimarães conhecia Ton havia longa data. Amigos, colegas de trabalho e sócios em uma editora, os dois compartilhavam histórias desde 1983. Com voz falha, Guimarães narra detalhes do relacionamento de Ton em todas as áreas da vida. "Era muito familiar. Sempre dizia que não conseguiria ficar sozinho, que precisava da família por perto. Nas escolas, era amado por todos os alunos. Conosco, também era muito carinhoso", complementa.
O velório do professor acontecerá no domingo (18/2), de 12h às 14h30, no cemitério de Taguatinga, na capela 1. As informações são do Correio Braziliense.

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