Trump aprova e republicanos divulgam documento que acusa de parcialidade os investigadores do caso Rússia

Memorando foi enviado ao Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados.
Trump fez na noite desta terça-feira (30) seu primeiro discurso do Estado da União (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)
O presidente americano Donald Trump liberou nesta sexta-feira (2) a divulgação de um documento elaborado por republicanos que acusa o FBI e o Departamento de Justiça de atuar com parcialidade contra Trump nos estágios iniciais da investigação no "caso Rússia".
O memorando acusa autoridades federais de abusar de sua autoridade quando pediram permissão para investigar um ex-assessor de política externa na campanha de Trump, Carter Page.
De acordo com o documento, uma autoridade do FBI disse a congressistas que um dossiê sobre Trump elaborado por Christopher Steele, ex-espião britânico que alegou conluio entre a Rússia e a campanha do presidente, foi usado como "parte essencial" da vigilância sobre Page.
O dossiê de Steele foi financiado em parte pelo Comitê Nacional Democrata e pela campanha presidencial de Hillary Clinton, que concorreu contra Trump nas últimas eleições. As informações contidas nele não foram confirmadas.
O memorando divulgado nesta sexta acrescenta que, em setembro de 2016, Steele disse a uma autoridade do Departamento de Justiça que estava "desesperado para que Donald Trump não fosse eleito".
Ainda segundo o documento, o vice-diretor do FBI, Andrew McCabe, disse ao Comitê de Inteligência que um alerta de vigilância sobre Page não seria emitido se não fossem as informações daquele dossiê.
Trump: 'Desgraça'
Republicanos do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados aprovaram a divulgação do memorando na última segunda-feira, dando cinco dias a Trump para aprovar sua divulgação ou não. Trump enviou o documento nesta sexta de volta ao Comitê, que então o tornou público.
"O que está acontecendo em nosso país é uma desgraça. Muitas pessoas deveriam sentir vergonha de si mesmas", disse Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
O principal autor do documento, o republicano Devin Nunes, afirmou na última quarta: "Está claro que autoridades usaram informações não confirmadas em um documento para abastecer uma investigação de contra-Inteligência durante a campanha política americana".
Autoridades do Departamento de Justiça tinham alertado que divulgar o memorando pode colocar informações confidenciais em risco.
A disputa em relação ao documento reflete uma batalha mais ampla a respeito da investigação criminal do procurador especial Robert Mueller sobre um possível conluio entre a campanha de Trump e a Rússia para ajudá-lo a vencer a eleição presidencial de 2016.
A Rússia e Trump negam as alegações. A investigação de Mueller e o inquérito do FBI que o antecedeu eclipsaram o primeiro ano da Presidência de Trump.
Reações
Após a divulgação do memorando, o FBI divulgou que "não autorizaram e não vão autorizar políticos partidários a distrair" sua missão.
Em comunicado por e-mail, o presidente da Associação dos Agentes do FBI, Thomas O’Connor, afirmou que os agentes estavam dedicados à nação e à Constituição dos EUA, acrescentando que: "O povo americano deve saber que continuam sendo bem servidos pela principal agência de aplicação da lei do mundo".
Os democratas do Comitê de Inteligência da Câmara classificaram o documento como "um esforço vergonhoso de descreditar" o FBI, o Departamento de Justiça e a investigação federal sobre os supostos laços com a Rússia. Também afirmam que devem divulgar seu memorando, respondendo às alegações dos republicanos, no dia 5 de fevereiro.
"A divulgação seletiva e a politização de informações secretas estabelecem um precedente terrível e causarão danos de longo prazo ao Comitê de Inteligência e às nossas agências de aplicação da lei", afirmam em comunicado. (G1)

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