Trump pretende divulgar relatório sobre supostos abusos em investigação do caso Rússia; FBI diz ter preocupações

Relatório elaborado por republicanos afirma que ex-espião britânico forneceu informações equivocadas ao FBI.

Trump fez na noite desta terça-feira (30) seu primeiro discurso do Estado da União (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , planeja divulgar um relatório elaborado pelo Partido Republicano que detalha supostos abusos cometidos pelo Departamento de Justiça durante as investigações do chamado "caso Rússia".
O chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, disse à "Fox News" que o memorando republicano será publicado assim que os advogados de segurança nacional do presidente terminem de revisá-lo, o que contraria o conselho do Departamento de Justiça. Segundo o jornal "The Washington Post", o órgão pediu a Trum para não publicar o relatório.
De acordo com a imprensa americana, o relatório alega que o ex-espião britânico que escreveu um famoso dossiê cheio de detalhes sórdidos sobre Trump, Christopher Steele, forneceu informações equivocadas ao FBI.
Com base nas informações de Steele, o FBI, que é uma unidade do Departamento de Justiça, decidiu ampliar a vigilância sobre Carter Page, que então era assessor de política externa na campanha eleitoral de Trump. A suspeita era que ele atuava como agente russo. O pedido judicial para efetuar a espionagem teria sido assinado pelo vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein.
O vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein (Foto: Carlos Barria/Reuters)
Os democratas temem que Trump utilize o relatório para demitir Rosenstein e, mais para frente, o procurador especial Robert Mueller. Rosenstein supervisiona Mueller, responsável por investigar a interferência da Rússia nas eleições de 2016 e os vínculos dos funcionários do Kremlin com a campanha republicana.
A divulgação do documento, produzido por funcionários do congressista republicano Devin Nunes, foi aprovada nesta terça pelo Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos EUA. A Casa Branca tem cinco dias para responder se permite ou não a divulgação do memorando.
Robert Mueller, conselheiro jurídico especial encarregado de investigar o caso “Russiagate” (Foto: Reuters)
FBI diz ter preocupações
O FBI divulgou um comunicado em que afirma estar "seriamente preocupado" com a possibilidade de publicação do relatório. A polícia federal americana diz ter tido uma "oportunidade limitada" para revisar o relatório, que lhe foi entregue um dia antes de o Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos EUA ter aprovado a publicação.
"Sobre o relatório do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, o FBI teve uma oportunidade limitada de revisar esse relatório", explicou a agência em uma breve nota divulgada nesta quarta.
O FBI destacou que existem "sérias preocupações" com algumas "omissões" de fatos no relatório, o que poderia comprometer a "exatidão" das informações contidas no documento. (G1)

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