Trump se diz livre de suspeitas sobre Rússia após memorando

Por meio de sua conta no Twitter, presidente americano declarou que a 'caça às bruxas continua' e que 'não houve conluio e não houve obstrução'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com desertores norte-coreanos no Salão Oval da Casa Branca, em Washington - 02/02/2018 (Yuri Gripas/Reuters)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, em sua conta no Twitter, que está livre de suspeitas após a divulgação de um memorando do Congresso segundo o qual o FBI abusou de seus poderes de vigilância durante a investigação sobre possível interferência russa na eleição norte-americana em 2016, vencida por Trump. Assinado pelo presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, o republicano Devin Nunes, da Califórnia, o memorando, contudo, também inclui revelações que podem complicar os esforços do presidente e de seus aliados para minar o inquérito.
“Mas a caça às bruxas russa continua e continua. Não houve conluio e não houve obstrução (a palavra agora usada porque, depois de um ano investigando sem parar e não encontrando nada, o conluio está morto). Esta é uma desgraça americana!”, escreveu Trump, da Flórida, onde passa o fim de semana. O republicano chamou a atenção ainda para pesquisa do instituto Rasmussen, de orientação conservadora, segundo o qual a sua aprovação saltou para 49%, e aproveitou para criticar a imprensa. “Então, por que a mídia se recusa a escrever isso? Ah, um dia!”.
Em quatro páginas, o memorando divulgado ontem afirma que, ao solicitar um mandado de vigilância para um assessor da campanha Trump, o FBI se baseou excessivamente em informações de um ex-espião britânico, cuja pesquisa foi financiada pelos Democratas. Christopher Stele, o ex-espião que compilou as alegações, reconheceu ter uma posição contrária a Donald Trump. Conforme o memorando, Stele também foi uma “fonte do FBI de longa data” com bom histórico.
A alegação central do memorando, no entanto, é a de que os agentes do FBI e promotores, ao autorizarem o monitoramento das comunicações do assessor de campanha Carter Page, falharam em informar a um juiz que a pesquisa da oposição que fundamentou a suspeita do FBI recebeu financiamento da campanha presidencial de Hillary Clinton e do Comitê Nacional Democrata. Os republicanos dizem que um magistrado deveria ter sabido que “atores políticos” estavam envolvidos em alegações que levaram o Departamento de Justiça a acreditar que o assessor poderia ser um agente de uma força estrangeira, acusação que ele nega.
O memorando, contudo, confirma que a investigação de contraespionagem do FBI sobre a campanha de Trump começou em julho de 2016, meses antes do pedido de vigilância sobre Page, e foi “desencadeada” por informações sobre o assistente de campanha George Papadopoulos, que se declarou culpado no ano passado de mentir para o FBI. A confirmação sobre Papadopoulos é “o fato mais importante divulgado neste memorando”, disse o deputado democrata Adam Schiff, em resposta aos tuítes do presidente americano.
O período analisado no memorando deixa claro que outros assessores de Trump, além de Page, levaram à investigação. O memorando também omite que Page estava no radar do FBI alguns anos antes, como parte de uma investigação separada sobre influência russa.
FBI e democratas
O FBI expressou “preocupações graves” com o memorando e o classificou como “inexato” e “incompleto”.
O Partido Democrata afirmam que o documento é um conjunto de alegações escolhidas a dedo para evitar a aplicação da lei. “Ele ignora o fato inconveniente de que a investigação não tenha começado nem tenha sido despertada por Christopher Steele ou pelo dossiê, e que a investigação persistiria com base em evidências totalmente independentes, mesmo se Christopher Steele nunca tivesse surgido no cenário.” O pedido de monitoramento foi renovado em três ocasiões adicionais, o que significa que os juízes o aprovaram quatro vezes. (veja)

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