Aliados dos EUA criticam tarifas ao aço e ao alumínio de Trump

O presidente americano estabeleceu impostos de 25% para o aço e 10% para alumínio na importação; únicos países isentos são México e Canadá
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi duramente criticado por anunciar aumentos nas tarifas de importação de aço e alumínio na quinta-feira (Leah Millis/Reuters)
Economias mundiais aliadas dos Estados Unidos pediram, nesta sexta-feira, a retirada das tarifas de 25% para o aço e 10% para alumínio impostas pelo presidente americano, Donald Trump, das quais só estão excluídos Canadá e México. Os novos impostos devem entrar em vigor dentro de 15 dias.
A comissária de Comércio da União Europeia (EU), Cecilia Malmström, advertiu que “a primeira opção da UE é sempre o diálogo mas, chegados a uma situação limite, responderemos”. Para evitar chocar de frente com a potência, no entanto, a representante disse que no sábado fará uma reunião com o representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e assegurará que “a União Europeia (UE) não tomará nenhuma decisão até que nos confirmem que não estamos excluídos das novas tarifas”.
Malmström afirmou que a UE demoraria até 90 dias para atuar após a entrada em vigor das tarifas americanas. O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, reforçou as palavras da comissária e também lamentou a decisão, advertindo que o bloco comunitário “responderá” para proteger sua indústria.
A patronal europeia do aço, Eurofer, chamou de “absurda” a decisão do governo americano com o pretexto da segurança nacional e advogou por uma separada comunitária. A associação sublinhou que a medida é “prejudicial e contraproducente tanto para os Estados Unidos como para a UE”.
A China, por sua vez, pediu aos Estados Unidos que retire “o mais rápido possível” essas novas tarifas, pois alertou que terão um “grave impacto” sobre o comércio internacional. Para o diretor do departamento de pesquisa comercial do Ministério chinês de Comércio, Wang Hejun, a decisão atenta contra a ordem comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Nesta sexta-feira, as matérias-primas do aço e do alumínio, como minério de ferro e coque, desabaram 5% na China para o menor patamar desde novembro. As associações de aço e metais chinesas pediram que Pequim retalie os Estados Unidos quanto às tarifas impostas sobre importações dos produtos.
Em Tóquio, o ministro de Assuntos Exteriores de Japão, Taro Kono, qualificou como “lamentáveis” essas medidas tarifárias e advertiu que “podem afetar a cooperação econômica entre Japão e Estados Unidos”.
O governo sul-coreano também se uniu às queixas nesta sexta-feira. “Lamentamos a decisão dos EUA de impor tarifas sobre as importações de aço apesar do nosso governo apontar através de diferentes canais os problemas que acarretam esta ação”, disse o Ministro de Comércio sul-coreano, Paik Um-gyu, em reunião com o setor local do aço.
Guerra comercial
O governo francês protestou na quinta-feira à noite contra a decisão, afirmando que “uma guerra comercial só terá perdedores”. “A França lamenta os anúncios de @realDonaldTrump sobre as tarifas ao alumínio e ao aço”, disse no Twitter o ministro francês de Economia, Bruno Le Maire.
A ministra alemã de Economia, Brigitte Zypries, assegurou que Berlim combinará com a Comissão Europeia uma resposta “sensata, mas clara” às tarifas ao aço e ao alumínio americanas e advertiu que Donald Trump está isolando seu país. “É um protecionismo que ofende estreitos aliados, como a UE e a Alemanha, e que limita o livre-comércio”, denunciou a titular de Economia.
Nesta sexta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que as conversas com os Estados Unidos sobre as tarifas sobre aço e alumínio importados devem ser uma prioridade e disse que apoia totalmente as negociações da Comissão Europeia em nome do bloco comercial.
Somente o governo canadense aplaudiu a decisão americana, mas precisou que “há mais trabalho para fazer”. O México, por sua vez, apesar de ser beneficiado na isenção das tarifas, reiterou que a negociação do Tratado de Livre Comércio para a América Norte (Nafta) não deve estar fixa a condicionamentos.
A Secretaria de Economia do México apontou que o processo de negociações para a modernização do Nafta “continua com seu curso de maneira independente a esta ou qualquer medida de política interna tomada pelo Governo dos Estados Unidos “.
No Brasil, o Executivo reiterou a “grande preocupação” que causa a decisão dos Estados Unidos e anunciou que “recorrerá a todas as ações” para preservar os seus interesses. Essa medida provocará “graves prejuízos” às exportações brasileiras, “amplamente” favoráveis aos Estados Unidos, segundo um comunicado conjunto assinado pela chancelaria brasileira e pelo Ministério de Indústria e Comércio. (veja)

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