Campanha #MeToo: Coreia do Sul aumenta penas por abuso sexual

No Dia Internacional da Mulher, ministra de igualdade de gênero e família anunciou leis mais duras por crimes em ambiente de trabalho
A ministra da Igualdade de Gênero e Família da Coreia do Sul, Chung Hyun-Back, concede entrevista à AFP em seu escritório, na cidade de Seul - 29/11/2017 (Jung Yeon-Je/AFP)
A Coreia do Sul anunciou, nesta quinta-feira, que endurecerá as penas por abusos sexuais cometidos no local de trabalho, decisão tomada no auge do movimento #MeToo (Eu também, em tradução livre) no país asiático, depois do último mês em que muitas mulheres denunciaram figuras importantes da cultura e política.
A ministra da Igualdade de Gênero e Família, Chung Hyun-back, anunciou em entrevista coletiva convocada por causa do Dia Internacional da Mulher o plano para aumentar a pena máxima por violação no ambiente de trabalho de 5 para 10 anos, assim como o prazo de prescrição do crime, dos 7 anos atuais para 10 anos.
Para casos de assédio sexual, a punição máxima passará de 2 a 5 anos e o prazo de prescrição de 5 a 7 anos, segundo anunciou Chung.
A ministra também indicou que o governo encorajará o processo criminal de pessoas ou entidades que se escondam ou ignorem abertamente este tipo de crimes e que vai cancelar automaticamente qualquer subsidio para qualquer organização privada considerada cúmplice dos mesmos.
“O movimento #MeToo é um evento em que a raiva em fúria finalmente entraram em erupção contra as relações de poder e a desigualdade de gênero entre os sexos, que tem sido um mal longo e profundamente arraigado de nossa sociedade”, disse a ministro.
A denúncia feita em janeiro por uma promotora contra um superior acusado de abusá-la há anos se tornou o primeiro grande impulso para o movimento #MeToo na Coreia do Sul. Desde então, um número crescente de mulheres denunciou abusos e violações no setor privado ou no mundo da cultura e entretenimento.
Neste setor foram acusados personalidades como o poeta Ko Un, considerado um dos favoritos nas apostas para o prêmio Nobel de Literatura, o diretor Kim Ki-duk e o ator Cho Jae-hyun.
Entre as últimas figuras públicas denunciadas está An Hee-jung, um dos políticos mais populares da Coreia do Sul e considerado um futuro candidato à presidência, que renunciou na última terça-feira como governador da província de Chungcheong do Sul, depois que uma assessora disse que ele a violentou em quatro ocasiões. An admitiu a acusação e a promotoria anunciou ontem que vai investigar o caso. (veja)

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