De familía rubro-negra, Sarah Menezes festeja acerto com o Flamengo

Campeã olímpica de judô mira a sua quarta Olimpíada
Sarah Menezes - DIvulgação/CBJ
Rio - Sarah Menezes mudou de endereço. Trocou Teresina pelo Rio para vestir as cores do time de coração de sua família, o Flamengo. Na Gávea, reencontrou Rosicleia Campos, técnica da seleção brasileira de judô, com quem viveu o auge da carreira: o ouro nos Jogos de Londres, em 2012. Com três Olimpíadas no currículo, contando ainda Pequim-2008 e Rio-2016, Sarah, aos 27 anos, pensa em um passo de cada vez até chegar à Olimpíada de Tóquio, em 2020. Primeiro, quer vencer a concorrência interna e garantir uma vaga para representar o Brasil com a confiança que adquiriu durante a carreira.
"Minha família ficou muito feliz, bem motivada com a minha vinda para o Flamengo", conta Sarah, que ganhou um pedido especial do irmão, João Vitor, de 18 anos: "Ele é fanático e pediu uma camisa autografada pelo Diego e os demais jogadores. Ganhei essa missão".
A mãe, Dina, veio para o Rio para conhecer a nova vida de Sarah e passeou com a filha pela Cidade Maravilhosa, conhecendo o Museu do Amanhã: "Ela veio conhecer a minha rotina, ver onde eu iria morar, ver o clube, o treino, o meu dia-a-dia, para ficar menos preocupada. Na época da Olimpíada eu vim e morei um ano sozinha e estou vindo neste ano de novo".
Morando perto do clube, a campeã olímpica tem gostado da nova rotina e tem feito a alegria da garotada durante os treinos na Gávea. Com o acerto com o Flamengo, ela festeja a chance de trabalhar com Rosicleia. "É uma experiência nova porque nunca tive essa vivência. Uma coisa é você estar com a pessoa só na Seleção, a outra é estar todos os dias. Acredito que será bem bacana, a gente já se conhece e tem uma vivência maravilhosa. É só aproveitar a estrutura do clube e os treinamentos e lutar para vencer".
Rosicleia, técnica da Seleção e do Flamengo, é só elogios para a pupila: "A Sarinha é um ser humano incrível, que pensa em ajudar o próximo. Como atleta, é a superação em pessoa".
Sarah, que compete no peso ligeiro, chega ao Flamengo com a bagagem de três Olimpíadas. Em Pequim-2008, com apenas 18 anos, ela foi eliminada logo na primeira luta. "A primeira participação foi um choque de realidade. Não tinha nenhum conhecimento e a vivência foi de extrema importância. Tinha muita coisa para eu conhecer dentro da Vila, aquilo mudou meu foco. Era muito jovem. Senti muito nervosismo na competição", recorda.
Mais madura, ela se preparou para Londres, quando a Seleção de judô teve Sheffield como seu quartel-general, evitando assim a Vila Olímpica. "Quando eu fui para o outro ciclo de Londres, foi diferente porque tudo aquilo eu já conhecia, não tive aquele choque novamente. Tive uma parte psicológica muito boa, as coisas andaram positivamente e não tive nenhuma distração. Não ficamos na Vila, ficamos numa cidade ao lado", lembra Sarah. Assim, veio a consagração, com a vitória na final sobre a romena Alina Dumitru. Ela se tornou a primeira mulher do país a conquistar um ouro no judô em Olimpíadas.
E foi com o status de campeã olímpica que ela encarou o ciclo rumo aos Jogos do Rio. "Eram muitas entrevistas. Era muito visada em competição e em reportagem. Mas eu levava na boa. Fazia meus treinos. Eu sabia que eu era a pessoa a ser batida. Mas eu estava fazendo um trabalho forte psicológico para isso não me abater. Acabei perdendo na Olimpíada por mérito da outra mesmo. Minha expectativa era estar no pódio, não imaginava a cor da medalha, mas não foi possível nos Jogos do Rio", conta Sarah, que foi eliminada em 2016 na repescagem pela mongol Urantsetseg Munkhbat.
Com uma vaga no Mundial do Azerbaijão, em setembro, na mira, Sarah pensa em um passo de cada vez até chegar a Tóquio, em 2020. "O que eu tenho em mente é conquistar a vaga. Tem uma briga dentro do Brasil. Depois de conquistar a vaga, é focar nos Jogos e conquistar medalha", diz ela. Se a vaga para a sua quarta Olimpíada vier, o que não faltará à Sarah é confiança: "Vou chegar forte, bem. Só resta lutar mesmo. Conhecimento eu já tenho, a vivência também. É acreditar e fazer. Eu me sinto bem, sempre me senti muito confiante". (odia)

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