Em Hong Kong, democratas perdem 2 assentos e poder de veto

Neste domingo, o bloco pró-democracia conquistou apenas 2 das 4 cadeiras no parlamento, perdendo a capacidade de veto contra governistas
Um apoiador do candidato pró-democrata Edward Yu, passa por outro manifestante, apoiador de de Vincent Cheng da Aliança Democrática, antes das eleições parlamentares em Hong Kong, na China - 11/03/2018 (Bobby Yip/Reuters)
A oposição pró-democracia de Hong Kong conquistou apenas duas das quatro cadeiras em disputa no Conselho Legislativo, o parlamento local, nas eleições realizadas neste domingo, um resultado que tira o poder de veto do grupo em relação à coalizão governista pró-China, que levou as outras duas vagas.
O pleito especial organizado para substituir quatro dos seis deputados eleitos em 2016, cassados após protestos contra Pequim, terminou com um resultado surpreendente para os analistas.
A aposta era que de uma vitória do democrata Edmund Yiu sobre o governista Vincent Cheng em Kowloon Oeste, mas o oposicionista acabou derrotado por 49,9% a 48,7%, segundo a imprensa local. O candidato chegou a pedir a recontagem de votos, que confirmou nesta segunda-feira a diferença de menos de 1%.
Com esse resultado, os democratas, que controlavam 30 das 70 cadeiras do parlamento há dois anos, perdem o poder de vetar as decisões do governo pró-China.
Deputados cassados
Em 2016, Pequim obteve a destituição de seis deputados que mudaram a frase do juramento. Alguns eram veteranos da luta pela democracia em Hong Kong, outros eram membros de um novo movimento radical que pede independência.
Estavam em disputa, neste domingo, quatro das seis cadeiras vagas, em particular a de Nathan Law, um dos rostos mais conhecidos dos protestos de 2014, conhecido como “movimento dos guarda-chuvas“, ao lado de Joshua Wonge Agens Chow. Dois deputados ainda seguem brigando na Justiça por seus mandatos.
Os seis legisladores foram expulsos dos cargos pelo tribunal superior de Hong Kong depois que Pequim emitiu uma “interpretação” especial da mini-constituição da cidade, estipulando que os legisladores tinham que prestar seu juramento “solenemente e sinceramente” ou enfrentar o banimento.
Alguns legisladores pró-democracia fizeram discursos contra Pequim e exibiram cartazes que diziam “Hong Kong não é a China” durante a posse. Outros acrescentaram frases apoiando o movimento democrático.
Somente 35 das 70 representantes do parlamento local são escolhidos pelos eleitores de Hong Kong. Os demais são diretamente designados por grupos de poder da ex-colônia, vários deles ligados ao governo de Pequim.
Os democratas usaram na campanha o argumento de que as inabilitações tinham sido injustas, mas a baixa participação nas eleições foi decisiva para o pleito.
O resultado é um novo golpe para o movimento pró-democrático de Hong Kong, que chegou ao auge na chamada Revolução dos Guarda-Chuvas no outono de 2014, quando milhares de pessoas foram às ruas da cidade para pedir voto universal.
As derrotas ocorreram no mesmo dia que a China abriu caminho para um governo vitalício de Xi Jinping. Quase por unanimidade, o congresso chinês aprovou uma emenda que acaba formalmente com os limites do mandato para a presidência no país. (veja)

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