Em mensagem de Ano Novo a iranianos, Trump critica governo

Imigrantes nos Estados Unidos acusam presidente de hipocrisia por suas palavras de apoio
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em conferência na Casa Branca - 06/03/2018 (Leah Millis/Reuters)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou saudações na segunda-feira a iranianos celebrando o feriado de Ano Novo conhecido como Nowruz, mas usou a mensagem para atacar o governo de Teerã, particularmente a poderosa Guarda Revolucionária.
“Eu desejo um lindo e abençoado Nowruz às milhões de pessoas que estão celebrando por todo mundo a chegada da primavera”, disse Trump. Ele acrescentou, entretanto, que o povo iraniano está sobrecarregado por “governantes que servem a si mesmos em vez de servirem à população”.
Trump, que ameaçou retirar Washington de um acordo multilateral com Teerã para reduzir o programa nuclear iraniano, chamou a Guarda Revolucionária de “um exército hostil que brutaliza e rouba da população iraniana para financiar o terrorismo no exterior”.
Trump disse que a Guarda gastou mais de 16 bilhões de dólares para apoiar o governo sírio e militantes e terroristas na Síria, Iraque e Iêmen. Ele também acusou o grupo de empobrecer a população do Irã, danificando seu meio ambiente e reprimindo direitos civis.
A linguagem dura foi um contraste com a mensagem de Nowruz de Trump no ano passado, na qual não fez nenhuma menção política.
O Nowruz é o evento nacional mais importante do Irã e é celebrado com reuniões em família, férias e troca de presentes. Neste ano, é celebrado nesta terça-feira.
Contradição
Muitos internautas e imigrantes iranianos nos Estados Unidos acusaram o presidente americano de hipocrisia por sua mensagem de Ano Novo.
Em uma das frases do comunicado, Trump diz que “os Estados Unidos estão ao lado dos iranianos em suas aspirações de se conectar com o mundo todo”. O trecho chamou a atenção, já que o presidente americano tem buscado banir do país os imigrantes iranianos e de outros países majoritariamente muçulmanos.
Com ordens executivas, ele tentou impedir a entrada desses imigrantes no país. Uma dessas determinações, assinada por Trump em janeiro de 2017, decretava que imigrantes do Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen estavam impedidos de entrar nos Estados Unidos durante 90 dias. Os decretos, contudo, foram suspensos pela Justiça americana. (veja)

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