FICOU PIOR

JOSÉ MAURÍCIO DE
BARCELLOS
Sinto-me envergonhado quando lembro que nos últimos 30 anos o Brasil padeceu sob o governo de pessoas que, diretamente e por vias transversas, levaram esta terra até a triste e dolorosa situação em que se encontra.
Isto porque uma coisa hoje em dia já resulta incontestável: apenas o progresso natural (inercial), ou seja, aquilo que aconteceria de qualquer jeito em razão do avanço da conjuntura mundial, da evolução da sociedade e decorrente do crescimento populacional levou o País adiante, mas a vida e, sobretudo a qualidade de vida de nossa gente, piorou de um modo geral e pouco ou nada fizemos para evitar isto.
Nem sempre isso fica claro, pois o sistema e o stablischement que o sustenta escondem, camuflam e disfarçam esta verdade, mas é essa a percepção de qualquer homem de bem desta Nação.
No que tange ao que o Estado deve ao cidadão, tínhamos mais e melhor. Na saúde, por exemplo, os hospitais, os postos de atendimentos e outros estabelecimentos públicos, ainda que poucos porque em número proporcional ao tamanho da população eram muito melhores e mais eficientes. É claro que outrora não possuíamos a descomunal rede de hospitais shows ou de sofisticadas clínicas de tratamentos, todas tão impessoais, frias e mercenárias, quantos os respectivos achaques que sofrem seus pacientes. Entretanto, tirante o que resultou do avanço da medicina, o povo tinha a sua disposição quando adoecia no mínimo um atendimento menos agressivo, mais humano e reconfortante. Do Presidente da República ao mais humilde cidadão todos acabavam nos hospitais públicos, pelos quais a sociedade nutria uma confiança referencial. Perdemos muito e acabamos à mercê dos planos “papa doente”.
Na educação, na segurança e quanto ao elevado custo que por elas pagamos a perda foi grande e somente uma pequenina parcela de nossa gente registrou um ganho efetivo, porque tudo pode pagar regiamente com o que rouba e usurpa dos cofres públicos ou com que arranca do suor desta pobre gente brasileira. Na era em que as escolas públicas tinham tudo de melhor para educação do povo porque os colégios particulares eram, com raríssimas exceções, ridicularizados como “estabelecimentos PP - pagou, passou”; na época em que nas cidades grandes o guarda noturno ou a dupla de policiais militares, carinhosamente chamadas de “Cosme e Damião”, eram suficientes o bastante para que as famílias circulassem e dormissem em paz; no tempo em que um delegado ou um sargento da guarda local e mais um cabo era tudo que se precisava para garantir a lei e a ordem nas cidades do interior, sem dúvida também os responsáveis por servir ao público eram muito mais honestos, honrados e patriotas.
Quando foi que perdemos tudo isso? Quando foi que renunciamos à nossa cidadania? Quando foi que passamos a conviver, sem nada objetar, com essa gente podre que tomou este País de assalto? Quando foi que, inobstante os graves sintomas desta doença social que “metastesiou” esta Terra de Santa Cruz, preferimos ignorar a maleita?
Pois bem, eu digo quando foi. Tudo isso teve origem quando o movimento cívico militar de 1964, ingenuamente acreditando numa classe política sórdida e abjeta, já devidamente cooptada pela esquerda torpe e delinquente, se permitiu transigir com patifes, ladrões, terroristas, e aproveitadores covardes – os mesmos que daqui fugiram como ratos de um navio que afunda ao ver soçobrar sua trama macabra de “comunizar” o País – para afinal abraçá-los como irmãos.
Eu e muitos que já tínhamos a ventura (ou a maldição) de enxergar adiante, hoje não temos remorsos porque não aceitamos a ideia ou com a mesma nos conformamos, muito pelo contrário, àquela nos opusemos firmemente. Era muito jovem na época, mas ousei acompanhar os que contrariaram alguns líderes e ideólogos do movimento revolucionário, sustentando uma vivência antiga: com bandidos não se transige, não se dá as costas porque o único negócio que se pode fazer com um facínora é facilitar para que ele o esfaqueie pelas costas. Fomos apunhalados. Toda a Nação foi traiçoeiramente apunhalada. Toda sociedade vem sangrando ao longo das últimas décadas. Tudo deu no que deu.
A verdade surgiu inevitável e hoje não há um só cidadão do bem que deixe de identificar as origens e as causas de nosso caos moral e social. Contudo ponderem. De que servem todos esses exemplos do mau que nos transpassa, se vamos continuar consentindo em sua permanência?
E pouco se me dá quem me tem como um ranheta incansável, mas vou repetir. Atenção! O circo dos poderosos está montado com um picadeiro nacional bem preparado para o grande espetáculo de ilusionismo de outubro de 2018. Nas filas de entrada e nas plateias está o povão, pronto e predisposto para aplaudir o engodo. Nos bastidores, escondidos por de trás das lonas e cortinas ou no palco distraindo o “distinto público” trabalham os donos da bilheteria, seus apresentadores e artistas, encarregados de promover a farsa encenada como democracia.
Vejam como essa gente calhorda se movimenta no cenário. Tem cacique político que posa de socialista emérito – o maior responsável pelo desastre chamado Lula – se fazendo de bonzinho, de conciliador de magnânimo para não perder seus privilégios e evitar que seus asseclas os percam igualmente. Tem destrambelhado boquirroto vindo do Norte com fama de traidor contumaz, ávido pelos despojos do petismo. Tem, em síntese uma horda de políticos espertos manobrando de toda sorte para permanecerem onde estão apesar do desprezo e do enojo do povo em relação a sua classe.
Os farsantes não estão em grande número, mas podem muito. Trago para reflexão o fato no sentido de que, dentre mais de 20 ou 30 colunistas e articulistas que compõem a nova equipe de comentaristas de um dos maiores jornais do País, não encontrei um só que registre ou que aborde a possibilidade de o povo romper com essa desprezível classe política de a a z ou que cobre a responsabilidade dos príncipes e mandarins dos três poderes da República, pela debacle que vitimou quase 20 milhões de brasileiros. 
A elite cantante dos dias atuais, de qualquer corrente ou ideologia, parte do pressuposto que tudo é admissível, desde que todos permaneçam em seus lugares. Pode vir quem quer que seja, mas os conglomerados de comunicação não podem perder as verbas do nosso bom e generoso BNDES ou os dinheiros da propaganda oficial. Pode-se eleger quem quer venha indicado pelas famigeradas agremiações políticas, desde que este não mexa nesta máquina pública corrupta e ineficiente. Admitem um governante qualquer, porém o eleito não deve nem cogitar de algo que inverta a ordem vigente, dando ao povo algum direito que seria integralmente pago pelos mais abastados ou outra qualquer coisa neste sentido.
Recuso-me a aceitar que o Brasil esteja fadado a um destino tão pequeno e tão sem perspectiva. Me indigna admitir que este povo não queira se libertar de seus algozes. Afronta-me o comodismo dos covardes e a falta de brios dos segmentos mais esclarecidos da sociedade, aos quais o preço do desmando, da incompetência e da corrupção é enfiado goela abaixo. Um dia – meu Deus, um dia - essa situação tem que mudar e este povo exaurido, no exercício do poder direto que confere a Constituição, parte para cima de tudo e de todos que o escravizam, convocando para apoiá-lo na implementação das medidas profiláticas necessárias, a única instituição que ainda confia: As Forças Armadas.
Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.