Lula encerra caravana no Sul em mais um dia de protestos

O encerramento da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (28), em Curitiba (PR), reuniu milhares de manifestantes e teve alguns focos de animosidade. Ao longo do dia, uma carreata contra o petista percorreu a cidade com gritos hostis a ele.
Já a manifestação pró-Lula ocorreu no centro, na praça Santos Andrade, em frente à UFPR (Universidade Federal do Paraná), cujas escadas ficaram lotadas.
Até as 20h30, Lula ainda não havia discursado. Ele chegou ao local por volta das 20h.
No palanque, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, cotado para virar o plano B do PT à Presidência diante da inelegibilidade do ex-presidente, reforçou a necessidade de unidade. "Não é à toa que temos aqui três, quatro, candidatos à Presidência."
Também estiveram presentes os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB), os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Lindberg Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) e a ex-presidente Dilma Rousseff.
Dilma lamentou os disparos efetuados contra ônibus da caravana na noite de terça (27). "Ao longo desta caravana, enfrentamos uma das mais graves manifestações de fascismo", disse.
Em geral, o protesto ocorreu sem maiores problemas, mas houve tensão em alguns momentos. Um grupo de manifestantes anti-Lula chegou a invadir o ato petista, jogou ovos e xingou apoiadores do ex-presidente.
A Polícia Militar foi até o local da confusão e estabeleceu um cordão de isolamento, mas ovos continuaram a ser arremessados. Em seguida, os manifestantes pró-Lula revidaram os ataques com xingamentos e gritos de ordem.
Mais cedo, opositores de Lula participaram de uma carreata que saiu do estacionamento do Parque Barigui por volta das 15h, com cerca de 50 carros e um trio elétrico, em direção à praça 19 de Dezembro, no centro.
Chegando lá, centenas decidiram ir até o protesto petista, a menos de 1 km dali. Barrada pela cavalaria da Polícia Militar, a massa marchou apenas até as imediações, a cerca de 400 m do local onde Lula discursaria.
Os grupos antipetistas gritavam "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão" e "Viva Sergio Moro", em referência ao juiz que julga os processos da Lava Jato na primeira instância no Paraná e condenou o ex-presidente Lula.
Manifestantes cantaram o hino nacional, envoltos por bandeiras do Brasil. "A gente só quer gritar pra não deixar ele falar", disse uma senhora a um policial.
Um dos coordenadores do grupo avisou aos manifestantes que a PM não os havia deixado ocupar a praça, apenas chegar perto. "Ele está lavando as mãos", disse um dos presentes, enquanto o resto vaiou a determinação.
A carreata contou com grupos como "Curitiba Contra Corrupção", "Patriotas Paraná", "Acampamento Lava Jato" e Movimento Brasil Livre. Segundo o primeiro, o trio elétrico foi financiado por meio de uma "vaquinha" dos membros e da venda de camisas e pixulecos, como são conhecidos os bonecos do petista vestido de presidiário.
A PM reforçou o policiamento na cidade e acompanhou as manifestações com cavalaria e helicóptero. Não informaram, entretanto, quanto foi o efetivo policial presente. Também não fizeram estimativa de manifestantes.
O ato encerrou a caravana de Lula pela região Sul, que teve início no dia 19 de março no Rio Grande do Sul.
O trajeto foi marcado por protestos, xingamentos, bloqueios de vias, lançamento de ovos e, enfim, pelos disparos da noite de terça contra o ônibus da caravana. O ataque está sendo investigado.
JUSTIÇA
A próxima semana será decisiva para o ex-presidente, que teve recursos do processo que envolve o caso tríplex negados pelo TRF-4 nesta segunda (26). Na próxima quarta (4), o STF (Supremo Tribunal Federal) julga um habeas corpus preventivo interposto por sua defesa. Caso seja rejeitado, o juiz Sergio Moro pode expedir um mandado de prisão imediato.
Em janeiro, o TRF-4 aumentou a pena do petista para 12 anos e um mês de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele também é réu em outras duas ações em Curitiba e quatro no Distrito Federal. Condenado em segunda instância, se tornou inelegível pela Lei da Ficha Limpa. O PT tem afirmado que Lula concorrerá ainda assim, mesmo que preso. (bocão)

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