Otan: ‘É preciso evitar nova Guerra Fria com Rússia’

O secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, disse que 'isolar o país não é uma opção' ao comentar o caso de envenenamento de ex-espião russo
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, cumprimenta público durante congresso em Moscou - 06/12/2017 (Sergei Kapurkhin/Reuters)
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, reiterou nesta sexta-feira seu apoio ao Reino Unido em suas acusações contra a Rússia no caso do ex-espião envenenado, mas avisou que é preciso evitar isolar os russos para não entrar em uma nova Guerra Fria.
“Não queremos uma nova Guerra Fria, não queremos uma corrida armamentista: a Rússia é nosso vizinho, de modo que temos de continuar trabalhando para melhorar as relações”, disse à rádio BBC o responsável pela organização. “Isolar a Rússia não é uma opção.”
Ao mesmo tempo, o máximo representante da aliança militar ocidental disse que “não há razões para duvidar” de que Moscou seja responsável pelo atentado com uma arma química contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, cometido em 4 de março na cidade inglesa de Salisbury.
“Não há razões para duvidar das conclusões e avaliações do governo britânico, em particular, porque isso acontece no âmbito de um padrão de atos temerários por parte da Rússia durante muitos anos”, acrescentou Stoltenberg, citando “a anexação da Crimeia, a contínua desestabilização da Ucrânia, os ciberataques e as ingerências nas eleições nacionais”.
As declarações de Stoltenberg foram dadas um dia depois de os líderes de França, Estados Unidos e Alemanha publicarem um comunicado junto ao Reino Unido culpando a Rússia pelo atentado e exigindo-lhe responsabilidades.
Londres considerou que, se o ataque tiver sido cometido com o gás Novichok, fabricado em laboratórios militares soviéticos, há apenas duas opções: foi executado pelo próprio Estado russo ou este perdeu o controle da arma.
Em consequência, a primeira-ministra Theresa May decidiu expulsar 23 diplomatas russos e suspender os contatos bilaterais no mais alto nível. O governo do presidente russo Vladimir Putin, no entanto, afirmou que pode banir os representantes britânicos “a qualquer momento” em resposta a essa decisão.
Ainda no lado britânico, o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, considerou que é preciso esperar o término da investigação antes de apontar a Rússia como culpada, sugerindo que o ataque pode ter sido obra da máfia russa.
“Não é o momento de julgamentos apressados que poderiam levar a uma nova Guerra Fria”, escreveu Corbyn em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian nesta sexta-feira.
Xadrez
Nesta sexta-feira, o embaixador da Rússia no Reino Unido, Alexander Yakovenko, definiu o caso do envenenamento de Skripal como uma “grande partida de xadrez” que os russos “vão jogar”.
Segundo Yakovenko, uma campanha informativa foi orquestrada contra a Rússia em torno do caso Skripal, que, apesar de bem organizada, apresenta um “grande número de incongruências” por parte dos britânicos.
“Chegará o dia em que o povo da Grã-Bretanha entenderá que precisa de outras pessoas no governo, que manterão outro tipo de relações com a Rússia”, disse o diplomata em entrevista à rede de televisão russa Rossiya-24, ressaltando que Moscou sempre está aberta à cooperação construtiva e que seu propósito é “esclarecer todas as circunstâncias relacionadas com esta provocação (o envenenamento de Skripal e sua filha)”.
“Nós temos uma cultura política diferente; a propósito, nas declarações das autoridades russas você nunca ouvirá grosserias como as que ouvimos das suas autoridades [britânicas]”, disse Yakoveko. (veja)

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