Petrobras fecha 2017 com prejuízo de R$ 446 milhões

Resultado foi impactado pelo acordo bilionário feito em janeiro para encerrar ação coletiva movida por investidores nos Estados Unidos
A Petrobrás registrou um prejuízo líquido de R$ 446 milhões em 2017, ante perda de R$ 14,824 bilhões em 2016, impactado pelo acordo para o encerramento da “class action” nos EUA e por adesão a programas de regularização de débitos federais. Apesar de ser o quarto resultado negativo da estatal, o acumulado de 2017 representa uma melhora de 97% ante a perda do exercício de 2016. Segundo a Petrobras, excluindo o acordo bilionário da ação coletiva, a companhia apresentaria lucro líquido de R$ 7,089 bilhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do ano em 2017, por sua vez, foi de R$ 76,557 bilhões, ante R$ 88,693 bilhões no ano anterior.
No quarto trimestre do ano passado, a estatal reportou prejuízo líquido de R$ 5,477 bilhões, revertendo o lucro líquido de R$ 2,510 bilhões de igual intervalo de 2016 e o ganho de R$ 266 milhões dos três meses imediatamente anteriores.
Após a divulgação dos resultados, o presidente da empresa, Pedro Parente, afirmou que o balanço de 2017 é “bastante positivo”. “Estamos muito satisfeitos. Somos uma empresa previsível, que está dando mais condição de previsão dos resultados”, disse.
Segundo o executivo, o resultado foi diretamente influenciado pelo acordo firmado com investidores nos Estados Unidos para encerrar ação coletiva (Class action) contra a empresa na Justiça. O impacto foi de R$ 11,198 bilhões.
“A solução da class action foi muito importante por eliminar o impacto que (uma possível derrota na Justiça dos EUA) teria no resultado, que poderia ser um múltiplo do valor pago”, afirmou Parente.
Destinação de recursos
A Petrobrás informou que os recursos proporcionados pelo IPO da BR Distribuidora, que somaram R$ 4,906 bilhões, foram destinados ao cumprimento do serviço da dívida e financiamento dos investimentos nas áreas de negócio. Até a semana passada, havia expectativa entre gestores de fundos de que esse capital impulsionaria o lucro da companhia no ano, eventualmente possibilitando o pagamento de dividendos.
O mesmo destino foi dado a recursos obtidos com a geração operacional de caixa de R$ 86,467 bilhões, por captações e recebimentos pela venda de ativos de R$ 9,907 bilhões.
Em 31 de dezembro de 2017, o saldo de caixa e equivalentes de caixa atingiu R$ 74,494 bilhões e as disponibilidades ajustadas totalizaram R$ 80,731 bilhões, com impacto positivo da aplicação em títulos do tesouro britânico em dezembro e com efeito da variação do câmbio sobre as aplicações no exterior.
No quarto trimestre de 2017, o fluxo de caixa livre foi positivo pelo 11º trimestre consecutivo, atingindo R$ 6,608 bilhões. De acordo com a petroleira, apesar das maiores margens nas vendas dos derivados e das exportações, a geração operacional de caixa foi afetada pelo acréscimo dos depósitos judiciais, resultando em uma redução de 19%. Além disso, houve aumento dos investimentos em 40% em função do pagamento de bônus de assinatura relativo às três últimas Rodadas de Licitação da ANP.
Dividendos
A Petrobras pretende alterar a forma de distribuição de resultados aos acionistas. Em comunicado, junto com o balanço do quarto trimestre, a companhia diz que o conselho de administração determinou a realização de estudos para alterações no estatuto social na cláusula de destinação dos resultados, “com o objetivo de estabelecer pagamentos trimestrais de Dividendos ou de Juros sobre Capital Próprio, bem como possibilitar o pagamento de dividendos intermediários à conta da reserva de lucros, observadas as disposições legais aplicáveis.” No demonstrativo de resultados, não há menção a distribuição de proventos aos acionistas. (AE)

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