Produtor musical e ex-jurado Carlos Eduardo Miranda morre em SP

Miranda sofreu mal súbito em sua casa na capital paulista
Carlos Eduardo Miranda morreu aos 56 anos. Foto: Valeria Gonçalvez/Estadão
O produtor musical e ex-jurado de programas como Ídolos e Astros, ambos do SBT, Carlos Eduardo Miranda morreu aos 56 anos na noite desta quinta-feira, 22, em São Paulo, informou a RedeTV!
Miranda nasceu em Porto Alegre e ganhou destaque na década de 1980. Ele trabalhou com bandas importantes do cenário do rock nacional como Skank, Raimundos e O Rappa. 
Além de importante produtor musical, o gaúcho foi polêmico jurado no programa "Ídolos". Foto: José Patricio/Estadão
Banguela Records. Carlos Eduardo Miranda, um jovem de Porto Alegre que havia fomentado a cena roqueira de lá, encontrava-se responsável por escrever sobre bandas independentes na extinta revista Bizz, marco do jornalismo musical brasileiro, e descobriu novidades vindas de Brasília (como Raimundos) e em Pernambuco (todo o movimento conhecido como manguebeat). “Eu tive um sonho. Nele, eu tinha uma missão a fazer. E era isso, construir o Banguela”, conta Miranda. “Parece maluquice, né?” 
Embora tenha lançado discos de Mundo Livre S/A, Little Quail and The Mad Birds, Kleiderman (banda formada por Sérgio Britto e Branco Mello), Maskavo Roots e Graforréia Xilarmônica, o selo Banguela Records ficou marcado pelo álbum homônimo do Raimundos, de 1994.
Simpático e bonachão, Carlos Eduardo Miranda é lembrado como descobridor dos Raimundos, além de ter trabalhado com Mundo Livre S.A., O Rappa, Skank e ter participado da criação do site Trama Virtual, que ajuda bandas independentes a divulgarem trabalhos.
De sua cabeça, encontros como os de Fresno e Chitãozinho e Xororó e Charlie Brown Jr. e Vanessa da Mata foram materializados. "Véio, eu te digo que o Calypso é a banda mais menosprezada do Brasil. Tanto artisticamente como na forma em que os dois (Joelma e Chimbinha) levaram a história da banda até agora. Já falei pro Chimba algumas vezes que ele deveria lançar um livro", falava animado.
Miranda criticava o que chamava de "ditadura do não-incômodo". "Quem toca em rádio já faz CD pensando nisso ou tem as características do pop. O que não é crime. O Skank, por exemplo, não tem distorções e é bem legal", dizia ele, lembrando que a história era antiga. O disco de estreia do Raimundos, lançado em 1994 e que ele produziu, trouxe no repertório uma versão acústica da canção Selim. No mesmo álbum, já havia a gravação original, com guitarra. Foi uma espécie de resposta a uma gravadora que, quando procurada pela banda, exigiu que tirassem os palavrões das letras e diminuíssem as guitarras. "Botei essa música de zoeira no disco. Nada elaborado, para encher linguiça. E acabou sendo a mais tocada nas rádios", contava Miranda. Para ele, há outra ditadura musical acontecendo. 
Produtor e conhecido como o jurado barbudo do programa Astros (ex-Ídolos), do SBT, ele se enquadrava no perfil dos chamados Kidults (mistura em inglês das palavras criança e adultos). Nesse time se encaixam todos aqueles que cultivam hábitos nada maduros, como colecionar bichinhos de pelúcia, passar horas jogando Playstation e vestir-se com estampas de personagens dos quadrinhos. Miranda tinha uma justificativa para suas coleções de bonequinhos, CDs, videogames e bugigangas. "Na minha vida, eu sempre somei, nunca subtraí nada. Tudo aquilo que cultivei de bacana na infância e na adolescência trago comigo até hoje?", explicava. Conhecido por sempre estar de bermuda, chinelo e camisa florida, Miranda dizia achar normal que as pessoas mais velhas o olhassem com certa reticência. "Elas não sabem que gosto de um bom vinho, de comer bem também. Me visto dessa maneira porque acho confortável. Sou assim desde criança.E os maiores picaretas não usam gravata?", ironizava. (estadão)

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