Putin diz aos EUA para enviarem evidências de interferência em eleições

No mês passado, a Justiça americana acusou formalmente 13 russos e 3 empresas de interferirem nos resultados da eleição presidencial de 2016.
O presidente russo Vladimir Putin fala durante uma reunião na Rússia (Foto: Pavel Golovkin/AP)
O presidente russo, Vladimir Putin, disse aos Estados Unidos para que enviem para ele evidências incontestáveis de que cidadãos da Rússia influenciaram as eleições norte-americanas, classificando as acusações contra seu país como “gritaria no Congresso dos EUA”.
O gabinete do Conselheiro Especial dos EUA, Robert Mueller, acusou no mês passado 13 russos e 3 empresas de interferirem nos resultados da eleição presidencial de 2016, no que chamou de conspiração para ajudar o presidente Donald Trump e prejudicar a candidata Hillary Clinton.
“Primeiro preciso ver o que eles fizeram. Deem-nos materiais, informações”, disse Putin em uma entrevista à NBC transmitida na sexta-feira, de acordo com a tradução da emissora. “Não podemos responder a isso se eles não violaram as leis russas”, disse Putin, quando perguntado se Moscou tomaria atitudes contra os envolvidos.
A entrevistadora listou algumas acusações de interferência registradas por Mueller e outras autoridades norte-americanas, incluindo a disseminação de notícias falsas na internet.
Entenda a acusação
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou no dia 16 de fevereiro deste ano a acusação formal de 13 cidadãos e 3 entidades russas por interferir nas eleições presidenciais de 2016, em atividades que teriam começado em 2014.
"Um grande júri federal do Distrito de Columbia apresentou acusação formal contra 13 cidadãos e três entidades russas acusadas de violar leis criminais para interferir nas eleições e nos processos políticos dos EUA", informou o escritório do procurador especial Robert Mueller, encarregado de investigar a suposta interferência russa na política americana.
As acusações alegavam que os russos se passavam por cidadãos americanos criando personagens falsos e roubando as identidades de americanos reais.
Apoio a Trump
Eles afirmaram ainda que o objetivo dessas pessoas e entidades era apoiar a campanha do então candidato Donald Trump, agora eleito, e prejudicar a oponente democrata Hillary Clinton, e que alguns dos réus, enquanto se passavam por americanos, se comunicaram com "indivíduos não conscientes associados à Campanha Trump e com outros ativistas políticos para procurar coordenar atividades políticas".
"As operações dos réus incluíram apoiar a campanha presidencial do então candidato Donald J. Trump e depreciar Hillary Clinton", disse a acusação. "Os réus fizeram várias despesas para realizar essas atividades, incluindo a compra de anúncios políticos em mídias sociais em nome de pessoas e entidades dos Estados Unidos".
Um dos casos descritos, como informou a rede CNN, foi a criação de um endereço de e-mail pelos russos, allforusa@yahoo.com, fingindo ser de uma pessoa dos EUA para enviar comunicados à imprensa em junho de 2016 sobre uma manifestação pró-Trump.
Os acusados também teriam usado uma conta do Facebook pertencente a uma pessoa fictícia chamada Matt Skiber, que se apresentava como americano, para entrar em contato com um cidadão dos EUA para atuar como recrutador da manifestação, chegando a oferecer dinheiro para imprimir cartazes e comprar um megafone.
Os russos também supostamente compraram anúncios no Facebook para promover uma manifestação com o slogan "Apoie Hillary. Salve os muçulmanos americanos", uma forma de fazer acreditar que Clinton estava apoiando a lei islâmica para os EUA. Eles também teriam pagado anúncios para promover uma manifestação "Fora Hillary".
"Esta acusação serve como uma lembrança de que as pessoas não são sempre o que parecem ser na internet", disse Rod Rosenstein, vice-procurador-geral, a repórteres. "A acusação alega que os conspiradores russos querem promover a discórdia nos Estados Unidos e prejudicar a confiança do público na democracia. Não devemos permitir que eles tenham sucesso ".
Rosenstein acrescentou que "não há alegação nesta acusação de que qualquer americano tenha algum conhecimento" das ações russas, e destacou que as acusações não significavam que a atividade atribuída aos russos alterou o resultado da eleição.
Para a Casa Branca, as acusações mostram que não houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. "A Rússia começou sua campanha anti-EUA em 2014, muito antes de eu anunciar que seria candidato a presidente. Os resultados das eleições não foram impactados. A campanha Trump não fez nada de errado - sem conluio!", escreveu Trump no Twitter. (G1)

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