Réu, ex-ministro é coautor de carta de Lula

Acusado de corrupção passiva e participação em organização criminosa, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT-PR) compõe o triunvirato escalado para a redação de uma carta de compromissos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja apresentar aos brasileiros na tentativa de quebrar resistência à sua candidatura, especialmente na classe média.
O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-ministro Aloizio Mercadante são os coautores da nova carta aos brasileiros, como o documento é chamado.
Mas, idealizado para imprimir ares de normalidade à pré-candidatura do ex-presidente Lula em meio ao seu julgamento, o texto ainda não está pronto.
O lançamento da carta estava previsto para a sexta-feira (23), na celebração do 38º aniversário do PT, em São Paulo. Mas o trio ainda não tinha chegado a um acordo sobre seu teor. A promessa agora é de que o texto seja divulgado no fim de março, durante a caravana que Lula planeja realizar pelos estados do Sul.
O debate para elaboração da carta foi iniciado no fim de 2017. Na última semana de janeiro, logo após à condenação do ex-presidente a 12 anos e um mês de prisão pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Haddad encaminhou a Lula uma minuta de cinco páginas. Cerca de 15 dias depois, Mercadante apresentou uma versão, de sua autoria, ao ex-presidente.
Procurado, o ex-prefeito Fernando Haddad afirma que a iniciativa de Mercadante não foi responsável por um eventual atraso no lançamento da carta. Segundo Haddad, a existência de duas propostas não foi obstáculo para que isso se concretizasse.
Mercadante diz, por sua vez, que a comissão cumpriu integralmente sua tarefa dentro do prazo estabelecido pelo presidente Lula e respeitou os procedimentos acordados.
Ainda segundo Mercadante, o conteúdo final da carta, documento curto e objetivo, depende integralmente de Lula. "Quanto à oportunidade de lançamento também. Ele lidera todas as pesquisas, tem larga experiência e saberá escolher o melhor momento político", afirmou.
O Instituto Lula declarou não ter o que falar sobre a participação de Paulo Bernardo no projeto. Segundo o instituto, não havia data fechada para o lançamento da carta. "Ela será divulgada quando for a hora e estiver pronta".
Paulo Bernardo é réu no âmbito da Operação Custo Brasil, que é um desdobramento da Operação Lava Jato que investiga desvio de mais de R$ 100 milhões em contratos de crédito consignado oferecido a servidores públicos.
O petista chegou a ficar preso por seis dias por determinação judicial, sendo liberado por decisão do ministro Dias Toffoli, que é o relator da Custo Brasil no STF (Supremo Tribunal Federal). (BOCÃO)

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