Sem acordo para imigração, Congresso dos EUA aprova orçamento

Democratas e republicanos fazem concessões para evitar o fechamento das agências federais por falta de orçamento
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Michael Reynolds-Pool/Getty Images)
Os líderes democratas e republicanos do Congresso dos Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira, um acordo para financiar o governo federal até o fim do ano orçamentário de 2018, evitando assim a paralisação do governo.
Os negociadores republicanos publicaram o texto com os termos acordados dois dias antes do chamado “shutdown” (fechamento das agências federais falta de orçamento), após semanas de duras negociações.
O acordo prevê elevar o gasto militar a 700 bilhões de dólares e o restante dos gastos correntes a 591 bilhões de dólares para o ano fiscal que termina no próximo dia 30 de setembro.
O Pentágono tem assim sua maior alta no orçamento em 15 anos, uma vitória dos republicanos destacada pelo presidente da Câmara, Paul Ryan.
O Congresso dispõe agora de dois dias, até a meia-noite de sexta-feira, para adotar o texto e evitar a paralisação da administração pública. A Câmara votará antes do Senado.
Concessões
Republicanos e democratas foram obrigados a abrir mão de algumas de suas prioridades. O compromisso alcançado inclui apenas 641 milhões de dólares para a construção de 50 quilômetros de barreiras na fronteira com o México, destacaram os democratas, que avaliam ter barrado o plano do presidente Donald Trump de construir um muro na fronteira.
O acordo estipula que as novas barreiras na fronteira devem ser similares às já construídas, o que exclui o paredão de cimento planejado por Trump.
Mas o texto também não prevê qualquer medida de regularização para os jovens imigrantes em situação ilegal nos Estados Unidos, os chamados dreamers, como defendiam os democratas.
Um artigo que reformula o sistema de verificação dos antecedentes criminais e psiquiátricos dos compradores de armas foi incluído e a proibição de investigações federais sobre incidentes violentos com armas de fogo, outra velha reivindicação dos democratas, foi eliminada.
Centenas de milhões de dólares suplementares foram desbloqueados para o FBI combater ciberataques russos e para que os Estados se defendam melhor dos hackers.
“Cada lei exige concessões e aqui ocorreram muitas, mas os democratas estão satisfeitos, já que várias de nossas prioridades para a classe média foram atendidas”, destacou o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer. “Esta lei nos permite cumprir com nossa promessa de reconstruir o Exército dos Estados Unidos”, declarou o presidente da Câmara, Paul Ryan.
Já os ultraconservadores da Câmara anunciaram que não aprovarão o texto acertado. Alguns democratas, por razões diversas, também disseram que não apoiarão o orçamento. “Estamos aprofundando a quebra do país”, protestou o deputado republicano Justin Amash em entrevista à Fox News.
“Sou contra porque rejeito as expulsões contínuas de imigrantes e de suas famílias, que mantêm cidades como a minha, Chicago”, declarou o democrata Luis Gutiérrez. (veja)

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