Análise: Com rapidez notável, Moro tenta evitar brechas para a defesa

Juiz é categórico ao vedar ‘utilização de algemas em qualquer hipótese’
POR PAULO CELSO PEREIRA/O GLOBO
O juiz federal Sergio Moro - Edilson Dantas / Agência O Globo / 24-10-17
BRASÍLIA - O juiz Sérgio Moro não esperou passar nem 18 horas da decisão do Supremo Tribunal Federal e já determinou que o ex-presidente Lula se apresente para a prisão. Com sua rapidez, Moro se antecipou aos movimentos de advogados, que tentaram ainda cedo uma manobra para recolocar em pauta o tema que, aparentemente, havia sido encerrado na véspera.
O despacho de três páginas foi liberado logo após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região autorizar o juiz a decretar o início do cumprimento da pena de 12 anos e um mês de reclusão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Embora sintético, o texto de Moro mostra alguns cuidados para evitar a vitimização do ex-presidente.
Para não ocorrer a tão formulada cena da Polícia Federal buscando Lula em seu prédio, onde petistas sonharam fazer um cordão humano, Moro deu ao ex-presidente o direito de se apresentar livremente até amanhã à tarde em Curitiba. Além disso, o juiz foi categórico ao determinar que está "vedada a utilização de algemas em qualquer hipótese".
Moro ainda fez questão de garantir outro privilégio: pela primeira vez na Lava-jato, um preso ficará inicialmente fora da carceragem. Por determinação do juiz, "em razão da dignidade do cargo ocupado", uma sala - sem grades - foi previamente preparada na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, "na qual o ex-Presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física", explicou o juiz.
Ao embasar o pedido de prisão, Moro ainda fez questão de lembrar as decisões do Supremo Tribunal Federal referendando o início do cumprimento de prisão após condenação em segunda instância, inclusive a desta quarta-feira. Provavelmente como lembrança para tentar evitar alguma nova virada de mesa.

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