Donos da Netflix de olho na Petrobras?

A série “O Mecanismo” do canal de TV por internet Netflix está causando fortes reações da esquerda. O abuso da “liberdade poética” pela série resultou em diversas distorções e mentiras em relação à história recente do país. Além da propaganda contra a esquerda que já é comum na velha mídia e nos grandes canais de comunicação, haveria outros interesses escusos por trás dessa investida?
Foi o jornalista Brian Mier do site Brasil Wire que levantou a bola em suas análises lúcidas e aprofundadas sobre o tema. Ele retrata com propriedade o diretor do seriado José Padilha, fala de suas carreira e mostra seus talentos. O mesmo retrato é composto do elenco principal da série. São atores de primeira categoria que já atuaram em diversas produções de excelente qualidade. Mas há ressalvas quanto a qualidade e principalmente a verossimilhança de “O Mecanismo”.
O uso de nomes trocados para personagens reais é uma forma de escape que traz uma falsa liberdade ficcional da qual os roteiristas usaram e abusaram. O ex-presidente Lula não é chamado de Lula, mas tem várias de suas características que levam os espectadores a verem o personagem como uma recriação de Lula. O problema é que atitudes e até frases que nunca foram ditas por Lula são colocadas na boca desse personagem que o recria . E as atitudes e falas são criminosas. Está clara a intenção de destruir a reputação não só de Lula.
Se a série vai ter algum alcance no sentido de destruir a reputação de alguém é difícil de aferir. Mas ela vem se unir a uma narrativa “jornalística” e até “jurídica” que não é nova, mas está atingindo o ápice com a ameaça de prisão do ex-presidente. A prisão de Lula é o objetivo central da Operação Lava Jato e da velha mídia nacional, em especial a Rede Globo. Mas onde entra a Neflix nessa história?
Segundo o Brasil Wire a BlackRock, uma das maiores acionistas da Netflix, ´é sócia de empresas como as petrolíferas Shell e a Chevron, que são altamente beneficiadas com o desmonte da Petrobras promovido pelo governo do Ilegítimo Michel Temer (MDB). Portanto, a série “O Mecanismo” vem reforçar essa narrativa dos mocinhos da “Lava Jato” contra os bandidos da Petrobras e do PT. A saída seria privatizar tudo, pois “empresas privadas não têm corrupção”.
É uma narrativa absurda, mas já vimos esse filme várias vezes. Começou com Fernando Collor em 1990, e teve seu momento de glórias nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Empresas telefônicas, a Cia. Vale do Rio Doce, a Cia. Siderúrgica Nacional, os bancos estaduais (lembram do Banestado, como Moro e Youssef?) e muitas outras empresas importantes foram entregues ao capital internacional, inclusive com o auxílio luxuoso do BNDES.
Os anos 90 e o Neoliberalismo estão de volta, num “grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo”; parafraseando Romero Jucá, e não Lula! (blogdoesmael)

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