EDITORIAL DO JORNAL O GLOBO - A bancada pluripartidária da corrupção

O discurso lulopetista da vitimização se torna cada vez mais caricato à medida que inquéritos e processos, em diversas instâncias, atingem outros partidos
Entre os venenos lulopetistas destilados para servir de antídoto aos efeitos políticos da desarticulação pela Lava-Jato do esquema de corrupção na Petrobras, está a lenda de que tudo se resume a uma conspiração para destruir o PT e seu líder carismático Lula, por ousarem defender os pobres.
Nesta overdose de conspirações estaria até a CIA, braço do imperialismo ianque sequioso atrás do petróleo do pré-sal. Não houvessem voltado os americanos a ser um dos maiores produtores de petróleo do planeta, com a exploração do gás de xisto.

A patética “denúncia” feita por Lula, sábado, de cima do carro de som, antes de ser preso, de que “eles” não querem que pobre coma e ande de avião ilustra bem esta tática. Chega a ser cômico, mas funciona junto a multidões desinformadas, facilmente enganadas por populistas. O resultado das urnas em certas regiões do país serve como prova irrefutável da eficácia do truque.
A ampliação de investigações e desdobramentos de processos antigos desmentem a versão lulista desta história da carochinha. Pois já é claro, há tempos, que não são apenas petistas que têm sido alcançados neste arrastão anticorrupção de caráter pluripartidário.
Pode ter havido alguma resistência em São Paulo, onde o Ministério Público estadual não demonstra, ou demonstrava, a mesma agilidade que o MP federal em outros estados para investigar tucanos, donos do Palácio dos Bandeirantes desde a década de 1990.
Mas agora o eterno argumento petista de que nada é feito contra os tucanos paulistas começa a perder ainda mais força, com a prisão decretada pela Justiça Federal do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Atuando na estatal paulista que gerencia e licita a construção e exploração de estradas, Paulo Preto teria sido importante canal de financiamento do caixa 2 tucano.
A prisão tem a ver com a denúncia de um desvio de R$ 7,7 milhões de obras no estado, durante o governo de José Serra. Também foram descobertos milhões em contas de Paulo Preto na Suíça. Tucanos e petistas vão se equivalendo.
Outra evidência do nivelamento ético por baixo dos dois partidos é que o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, protagonista do mensalão tucano, revelado pelo GLOBO, precursor do petista, foi condenado em segunda instância e terá o último recurso julgado no dia 24. Poderá ser preso, como Lula. Azeredo renunciou à cadeira de deputado federal, para fugir do julgamento no STF. A manobra funcionou, mas só em parte.
Ainda entre os tucanos, na semana que vem o Senador Aécio Neves, também mineiro, pode virar réu no Supremo, no caso das relações nada republicanas — incluindo conversas telefônicas — com Joesley Batista, da JBS.
Por uma coincidência que reforça a desconstrução do cacoete persecutório do lulopetismo, além de o próprio emedebista Michel Temer estar arrolado nas investigações sobre falcatruas no Porto de Santos, amigos do presidente acabam de ser declarados réus no processo chamado de forma sugestiva de “o quadrilhão do PMDB”. Os amigos são José Yunes e o coronel Lima. O PT não pode mais se sentir isolado. E não é de hoje.

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