Ellen Rocche abre a intimidade e revela: 'Eu renegava a sensualidade'

Ela ainda falou sobre sua aparência: 'Nunca me achei belíssima'
Com corpo, rosto e voz de boneca, Ellen Rocche, a Suzy de “O outro lado do paraíso”, entrou literalmente na brincadeira e aparece, aqui, em versão carne e osso da concorrente da Barbie no Brasil, a famosa Susi (só a grafia do nome é diferente do da personagem da novela). Assim que chegou, pontualmente, ao bufê infantil Folia Encantada, na Barra, para esta sessão de fotos, bastou dar de cara com a caixa de boneca feita sob medida (por Georgia Festas) para extravasar sua porção lúdica. Aí foi um festival de gestos, caras e bocas nos moldes do brinquedo. Ellen é mais íntima desse universo que o público imagina. Ela tem cadastrados numa agência timbres de vozes de crianças e já dublou inúmeras bonecas disponíveis no mercado.Foto: Reprodução
— A primeira que eu ganhei foi uma Susi noiva. Não tenho mais. Hoje, guardo umas Barbies de colecionador, que amo. Adoro esse mundinho cor-de-rosa. Tenho marcas da vida, mas preservo meu olhar infantil, de ver o lado bom das pessoas. E parte do sucesso de Suzy eu devo a esse olhar também. Ela acredita em príncipe encantado, sonha com a família perfeita. Acho que o público se identifica porque sabe que é genuíno, por mais maldosinha que ela pareça em algumas situações — pontua a atriz.
Ellen é, sim, esse mulherão de curvas voluptuosas. Sabe disso e aprendeu a aceitar. Só não se limita. Aos 38 anos, sendo 21 de carreira, a loura vem se destacando cada vez mais com papéis marcantes, como o da Mulher Mangaba de “Sangue bom” (2013), a ex-BBB Leonora Lammar de “Haja coração” (2016) e a Dona Capitu da “Escolinha do Professor Raimundo”. É a prova de que talento, sex appeal e delicadeza não são excludentes.
— Eu renegava a sensualidade, queria ser diferente, mas, quanto mais bloqueava, mais ficava latente em mim. Aprendi a usar isso a meu favor! Existe um estereótipo, é verdade. Mas dou graças a Deus, porque o dia em que eu não fizer a bonitona, a gostosona, vou falar: “Poxa, passou minha fase”. Não vou gostar muito (risos)! Antigamente, eu ficava me enfeando para os trabalhos, mas ouvi de um grande ator: “Mais para frente, você vai se arrepender disso, porque as coisas passam e tudo tem seu tempo. Aproveita seu talento e agarra as oportunidades”. Assim eu fiz! — conta ela, lembrando certos comentários que recebeu sobre estar se repetindo em personagens cômicos e sensuais.Foto: Reprodução
Línguas ferinas à parte, crítica e público têm aplaudido de pé a interpretação de Ellen para as desventuras de Suzy em tentar manter um casamento com Samuel (Eriberto Leão), assumidamente gay. Na reta final da trama, os caminhos apontam para um romance da enfermeira com Helder (Carlos Bonow), o médico tarado por seus pés. Enquanto era submetida à “montação” de boneca, a artista revelou que fora da ficção seus pés têm até seguidores na internet. E que, certa vez, sofreu um ataque na manicure:
— Já postei foto dos meus pés que teve mais curtidas do que do meu rosto (risos). E já aconteceu uma história surreal comigo. Estava na manicure e chegou um senhor, de uns 60 anos, que sentou ao meu lado. A manicure começou a fazer uma massagem esfoliante, e relaxei. Em questão de segundos, o homem enfiou meu pé na boca e começou a chupar meu dedo com creme e tudo. Fiquei em choque. Comecei a gritar, tentava puxar, mas ele segurava meu calcanhar e travava a boca. Mordeu de tirar sangue. Tenho a marca até hoje. Precisou de um segurança para expulsá-lo. Fui à delegacia, com uma dor do caramba, e o delegado ainda riu da minha cara. Levei dois pontos, vacina antitetânica na barriga... Um horror! Pior que, durante a confusão, uma mulher batia com a bacia na cabeça dele e dizia: “É pedófilo!”. Aí foi hilário (risos). Piada pronta, né?.
Embora agora dê risadas da situação e diga que o caso tem tudo para virar um esquete de humor, Ellen ficou traumatizada por um bom tempo:Foto: Reprodução
— Passei um ano sem fazer a unha do pé no salão, não usava nem sandália, escondia. Tive crises de pânico. As pessoas chegavam perto, e eu ficava com medo de alguém me atacar. Quando essa história dos pés da Suzy apareceu no texto, pensei: “Obrigada, Walcyr (Carrasco, autor), por me fazer passar por cima do meu trauma (risos)”.
Esse não foi o primeiro nem o único episódio de assédio que a paulistana enfrentou:
— Quando andava de ônibus e metrô eu sofri. Sempre fui doce, meiga, mas, quando era encoxada, encarava até a pessoa sair. Não me sentia acuada. Cresci na Cohab, em Itapevi (SP). A vida me ensinou a me defender. Na escola, eu era a lourinha que tomava surra das outras meninas. Até que peguei os excluídos, humilhados e chamei para a defesa. Só nunca fiz barraco. É muito triste pensar que, nós, mulheres, somos vistas como sexo frágil. Não saio por aí levantando bandeira feminista. Sou a favor do ser humano. Mas é arrasador ver tantas de nós acuadas só pela condição de sermos mulheres.
Nessa arte de defesa, Ellen virou expert. Alvo de cobiça, diz que já recebeu uma proposta indecente, mas que sempre soube se posicionar:Foto: Reprodução
— Existiu um episódio, sim, e eu falei em alto e bom som quando um cara me disse: “Ah, se eu tivesse dinheiro...”. Devolvi na hora: “Se você tivesse dinheiro, não ia mudar nada”.
Na trama, a apelação de Suzy para engrenar uma relação sem futuro com Samuel tem a ver com baixa autoestima, segundo essa canceriana:
— Acho que ela não suporta rejeição. Suzy precisa de um homem. É independente financeiramente, só que sonha com a família perfeita e insiste na situação. Eu não! Tenho uma autoestima elevada, aprendi a me valorizar. Tem gente que gosta de se depreciar, de se sabotar e se comparar com outras pessoas. Eu não me comparo a ninguém. Minha competição é comigo mesma. Se uma relação se torna tóxica, eu deixo ir.
Não foi sempre assim. A aceitação veio de um processo e, principalmente, do estímulo da mãe, Elsie Rocche, que morreu de câncer há cinco anos.
— Nunca me achei belíssima, uma deusa. Eu me gosto. Sei dos meus defeitos e qualidades. Quando me ligaram da “VIP” (revista) para dizer que eu tinha sido eleita a mais sexy do mundo (2002), achei que fosse trote. Desliguei o telefone três vezes. Tive a fase patinho feio também. Na adolescência, eu me escondia em camisetas, calças de moletom... Hoje, eu me valorizo acima ou abaixo do peso — frisa.
Foto: Reprodução
Outra questão complexa que envolveu o casal da novela foi a traição de Samuel com Cido (Rafael Zulu). A trama levantou um debate na vida real: o pior é ser trocada por homem ou mulher?
— No caso da Suzy, acho que por um homem porque ela foi enganada duplamente. Não é que seja preconceituosa, mas ela viveu dez anos com uma pessoa que não conhecia, que mentiu. Nesse aspecto foi pior, embora ache que toda forma de traição é ruim. Nunca passei por uma situação como essa, mas, diferentemente de Suzy, eu viraria a página. Não investiria numa relação de mentira.
Mãe pela primeira vez na TV, a atriz confessa que a Tigrinha aflorou seu instinto maternal:
— Amei ter barriga de grávida. Acho que não existe milagre maior do que dar à luz. Mas até então nunca tinha pensado: “Quero ter um filho”. Queria uma família, encontrar o amor da minha vida. Se Deus permitir, quem sabe não me torne mãe?
Namorando o nutricionista Rogério Oliveira, responsável por ajudá-la a perder 12 quilos depois de “Haja coração”, Ellen, que não assumia uma relação desde 2010, prefere manter a intimidade preservada, mas não esconde a paixão:
— Estou bem feliz. Ele é muito especial. Apareceu num momento mágico da minha vida! (Agencia O Globo)

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