May diz que Reino Unido participou de ataque na Síria por interesse nacional e não devido a pressão de Trump

Na sexta feira, EUA, França e Reino Unido lançaram 105 mísseis contra três alvos na Síria. 'Era a coisa certa a se fazer, e não estamos sozinhos', disse premiê.
Theresa May fala no Parlamento nesta segunda (16) (Foto: PRU/AFP)
A decisão do Reino Unido de realizar ataques aéreos contra a Síria está relacionada com o interesse nacional do país, e não é resultado da pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, disse a primeira-ministra Theresa May ao Parlamento nesta segunda-feira (16).
"Não fizemos isso porque o presidente Trump nos pediu, nós fizemos isso porque acreditamos que era a coisa certa a se fazer, e não estamos sozinhos. Há amplo apoio internacional para a ação que fizemos", disse.
May afirmou que há uma “clara evidência” de que o governo de Bashar Al-Assad está por trás do suposto ataque químico ocorrido em Duma, em Guta Oriental, que deixou 40 mortos e dezenas de feridos no começo de abril.
A premiê britânica declarou ter explorado os canais diplomáticos, mas lamentavelmente concluiu que a única alternativa era uma "ação limitada e cuidadosamente direcionada", como a que foi adotada contra os alvos do programa de armas químicas do governo sírio.
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, principal opositor de May, afirmou que a ação era “legalmente questionável” indagando quem era o responsável pelo bombardeio – já que Theresa May não submeteu a decisão ao parlamento.
No Reino Unido, os primeiros-ministros não precisam obrigatoriamente consultar o Parlamento antes de iniciar uma ação militar, mas têm adotado esse costume desde a invasão do Iraque, ocorrida em 2003.
Corbyn ressaltou que, embora seja provável que o presidente sírio esteja por trás do ataque, outros grupos já realizaram ataques semelhantes e que os inspetores ainda investigam a procedência do ataque contra Duma.
Ainda nesta segunda, o Reino Unido acusou a Rússia e a Síria de não permitirem a entrada da missão da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) em Duma. A Rússia nega que esteja impedindo.
"A Opaq chegou no sábado a Damasco. A Rússia e Síria não autorizaram ainda o acesso a Duma", declarou no Twitter a embaixadora britânica em Haia (Holanda). O Kremlin afirma que a acusação carece de fundamento, segundo a France Presse.
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Barzah, no arredores de Damasco, antes e depois de bombardeio (Foto: Satellite Image ©2018 DigitalGlobe, a Maxar company via AP)
Ataque e retaliação
O ataque em que o regime sírio teria utilizado armas químicas em Duma aconteceu em 7 de abril deixou 40 mortos e dezenas feridos. Em retaliação, EUA, França e Reino Unido lançaram 105 mísseis contra três alvos do programa de armamento químico na Síria na noite de sexta-feira (13) (horário de Brasília).
Os alvos atingidos pelo bombardeio dos EUA, França e Reino Unido foram o centro de Pesquisa e Desenvolvimento Barzah, nos arredores de Damasco, um armazém de armas químicas – em que os EUA acreditam que estavam estoques de gás sarin –, e uma base que também teria armas químicas, esses dois últimos em Homs.
Nesta segunda-feira, a Opaq deu início a uma reunião convocada em caráter de urgência, em Haia, sobre o suposto ataque químico de Duma. A reunião envolve o seu conselho executivo, que reúne 41 membros dos 192 países que integram a organização. (G1)

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.