“Perdemos pro sistema”

Cansado de inúmeros furtos, Rogerio Casagrande, de 50 anos, proprietário de uma loja especializada em carros, resolveu fechar o estabelecimento. Somente neste ano, foram cinco furtos na loja que fica na Rua Doutor Faivre, no centro de Curitiba. O último episódio foi registrado na madrugada de domingo (1) e os bandidos chegaram a cortar a energia da loja para que o alarme não tocasse.
No local não restou quase nada, isso porque os bandidos levaram microondas, fogão, cofres com dinheiro em espécie, pistolas para pintura de veículos, máquina de polimento, torneiras da pia, documentos pessoais, computadores, impressoras, modem de internet, aparelhos telefônicos, objetos pessoais, pacotes de açúcar, botijão de gás e até mesmo o carro de um cliente de Rogério. O veículo estava no local para uma reforma e serviu de transporte para os produtos roubados. Horas depois, o Chevrolet Prisma foi localizado pela população no bairro Jardim Botânico, mas, obviamente, os outros objetos não foram recuperados.
Os bandidos chegaram a cortar a energia da loja para que o alarme não tocasse. Foto: Marco Charneski.
“Eles cortaram a energia e a empresa de segurança me ligou, mas disse que a bateria que temos aguentaria até voltar, mas os bandidos tiraram a bateria e aí cortou geral a energia, não havia mais monitoramento. Eu fiquei sabendo pelo vizinho, que ouviu barulhos. Eles arrombaram o portão na saída e fugiram com o carro de lá de dentro. Até bebidas eles consumiram dentro da loja”, desabafou.
Desta vez os bandidos entraram por um estacionamento desativado, que fica ao lado da loja de Rogério, mas nem sempre foi assim. Em outro furto que aconteceu no começo deste ano os ladrões entraram pela porta da frente e somente em um dia deram um prejuízo de mais de R$40 mil reais.
Desta vez os bandidos entraram por um estacionamento desativado, que fica ao lado da loja de Rogério. Foto: Marco Charneski.
Para notar as marcas dos constantes arrombamentos basta olhar para as prateleiras das vitrines completamente vazias. O comerciante precisou abrir mão do empreendimento da família por conta dos inúmeros prejuízos que não foram evitados nem com a contratação de uma empresa de monitoramento.
“Não sei o que vou fazer da minha vida”, relatou o empresário bastante emocionado. Foto: Marco Charneski.
“Levaram de tudo e roubaram absolutamente tudo, e eu não vou conseguir comprar isso novamente. O que me chateia, de verdade, é que nós lutamos muito e acabamos perdendo pro sistema. Minha decisão é concreta e chega. Eu vou lutar de novo, pra levarem tudo de novo? Eu tinha três funcionários e agora famílias estão na rua desempregadas, eu também tô desempregado. Não sei o que vou fazer da minha vida”, relatou bastante emocionado.
Bronca antiga
Em fevereiro a Tribuna do Paraná esteve na rua e conversou com diversos outros lojistas. No local, não havia ninguém que não tivesse passado pelos mesmo episódios de furtos. Somente em 2017, foram registrados mais de 45 mil furtos em Curitiba, de acordo com um relatório divulgado pela Secretária de Segurança Pública. No bairro Centro havia registrado quase 6 mil casos de furtos e roubos. (tribunapr)

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