Trabalhadores rurais intoxicados em Planaltina passam mal novamente

Em março deste ano, 21 funcionários foram hospitalizados depois de sofrerem intoxicação em uma plantação entre Paranoá e Planaltina. Agora, 14 se intoxicaram novamente. Empresa diz prestar toda a assistência necessária
Trabalhadores rurais, após passarem mal novamente, esperam transporte para serem encaminhados ao atendimento médico(foto: Arquivo pessoal)
Um mês depois de se intoxicarem em uma lavoura de soja próxima à BR-251, trabalhadores rurais voltaram a apresentar sintomas de intoxicação após contato com pesticida. O mesmo grupo de agricultores passou mal no início da manhã desta quarta-feira (11/4). Dessa vez, no entanto, em vez de serem encaminhados a unidades de saúde, a maior parte deles permaneceu, até o início da noite, na empresa, em Planaltina.
Os funcionários da lavoura começaram a passar mal às 8h e foram levados para o prédio da empresa às 13h, onde receberam atendimento médico. Das 14 pessoas afetadas, duas tinham sido encaminhadas a um hospital particular na Asa Norte até a última atualização desta reportagem. Oito desmaiaram ainda na plantação. 
Uma das vítimas, que conversou com a reportagem sob a condição de anonimato, contou que a equipe chegou a esperar duas horas por uma van que levou o grupo até a empresa. Além disso, segundo ela, a organização não forneceu medicação e muitos foram embora ainda com os mesmos sintomas, sem alterações. Apesar de ter recebido alta média, ela diz se sentir insegura de voltar a trabalhar e relata que sintomas como inchaço, febre, dor no corpo e vômito continuam.
A assessoria de imprensa da Pioneer confirmou, em nota, que “alguns funcionários que trabalhavam em uma lavoura de soja na região de Planaltina (DF) passaram mal momentos depois de iniciarem suas atividades no campo”. A empresa completou, contudo, que, de acordo com o último laudo clínico, todos estavam bem de saúde e aptos a trabalhar.
"Entretanto, alguns trabalhadores nos informaram que não estavam se sentindo bem e foram atendidos pelos médicos da empresa. Em seguida, 14 foram encaminhados para exames clínicos na própria unidade e dois funcionários foram encaminhados para hospitais da região e já foram liberados", continuou o texto.
A companhia ainda lamentou o incidente e reforçou que está oferecendo toda a assistência necessária, pois “a saúde dos funcionários é sua prioridade número um”.
Investigação
O Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT-10) iniciou processo administrativo para analisar a conduta de três empresas associadas aos casos de intoxicação por pesticidas em trabalhadores nas lavoura de soja. O órgão notificou as companhias DuPont do Brasil S. A., a Pioneer Sementes Ltda. – uma das empresas do grupo DuPont – e a prestadora de serviços JC&F Gestão e RH, responsável pela contratação dos trabalhadores, mas as investigações ainda não tiveram início.
O MPT-10 informou que, na última quarta-feira (4/4), a DuPont foi notificada e credenciou um advogado como representante da organização. Não há registro da data de recebimento das Notificações de Fato (NF) pelas outras duas empresas, mas elas precisarão se manifestar em até 15 dias depois do recebimento da notificação.
A reportagem tentou contato, por telefone, com os responsáveis pela JC&F, mas não foi atendida. O Correio contatou ainda a Pioneer e a Dupont, por e-mail, e aguarda retorno. À época do anúncio do processo administrativo, essas duas últimas empresas se manifestaram em nota e informaram que "as investigações necessárias estão em curso e é de interesse da empresa apurar a fundo o ocorrido e garantir a saúde e segurança de seus funcionários". (CB)
Confira a íntegra da nota da Pioneer sobre o incidente desta quarta-feira (11/4):
"No dia 14 de março, alguns funcionários que trabalhavam em uma lavoura de soja na região de Planaltina (DF) passaram mal momentos depois de iniciarem suas atividades no campo. Na ocasião, todos receberam pronto atendimento e, desde então, vêm sendo monitorados pelos médicos da empresa, além de terem realizado diversos exames. De acordo com o último laudo clínico, todos estavam bem de saúde e aptos a trabalhar. Entretanto, alguns trabalhadores nos informaram na data de hoje que não estavam se sentindo bem e foram atendidos pelos médicos da empresa. Em seguida, 14 foram encaminhados para exames clínicos na própria unidade e dois funcionários foram encaminhados para hospitais da região e já foram liberados. Todos estão bem. A companhia lamenta profundamente o incidente e reforça que está oferecendo toda a assistência necessária, pois a saúde dos funcionários é sua prioridade número um. Ao longo de toda a trajetória da companhia no Brasil, nunca houve um caso parecido e, dessa maneira, não serão poupados esforços para evitar que situações como essas voltem a acontecer."

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