VÔLEI - Fabi deixa no ar possibilidade de se aposentar

Com 10 ouros da Superliga de vôlei na carreira, jogadora disputa sua 13ª final da competição pelo Sesc RJ
Fabi é bicampeã olímpica em Pequim 2008 e Londres 2012 - Marcio Mercante / Agencia O Dia
Rio - Numa tarde ensolarada no Rio, Fabi chega para a entrevista na Urca, carregando na bagagem um pouco de sua história pela equipe carioca. Da mochila, tira as 10 medalhas de ouro da Superliga de vôlei e logo pendura as relíquias no pescoço para as fotos. Depois, num dos bancos próximos à praia, relembra a trajetória vitoriosa pelo time que virou sua segunda casa no Rio e, aos 38 anos, mostra que a aposentadoria está cada vez mais madura na sua cabeça.
Avessa à ideia de fazer um anúncio do adeus com antecedência, a bicampeã olímpica diz que, assim como nas últimas duas temporadas, já imaginou que esta pode ser a última de sua brilhante carreira. Mas ainda há fôlego: amanhã, Fabi inicia a disputa de sua 14ª final de Superliga, a 13ª pelo Sesc RJ, diante do Dentil-Praia Clube, de Uberlândia (MG), na Arena Carioca 1, na Barra. A decisão será em dois jogos o segundo no dia 22 e, se houver uma vitória para cada equipe, haverá um golden set.
Questionada sobre mais quanto tempo irá jogar, ela responde: "Essa é uma pergunta muito difícil. Eu venho, ao longo dos anos, fazendo um ritual que tem funcionado muito: quando acaba, a gente vê o que faz. Tem o lado da Fabi, eu sei que está chegando. Eu quero tentar fazer assim: 'Este ano vai ser o último'. E viver como se fosse o último. Se for, eu tenho certeza de que eu terei feito valer a pena. Há três temporadas falo que acho que vai ser a última. E assim vou vivendo. O que posso dizer é que está muito, muito, muito próximo. Quem sabe mais uma ou quem sabe esta seja a última também."
Rubro-negra declarada, Fabi dá outra pista de que vem amadurecendo a ideia de parar quando descarta a possibilidade de jogar pelo Flamengo o time da Gávea ainda vai disputar a Superliga B na próxima temporada para tentar uma vaga na elite. "Muita gente me pergunta se eu não quero ir para o Flamengo, que vai montar um time de vôlei. Lógico que seria um sonho encerrar minha carreira no Flamengo. Mas não sei vou conseguir tempo hábil para disputar uma Superliga lá, estou com 38 anos também. Pela história que tenho aqui e pela gratidão, vai ser um bom lugar para fazer os últimos treinos, vídeos e jogos".
Em 12 finais pelo time do Rio, Fabi tem 10 ouros e duas pratas na Superliga ela também foi vice-campeã com o Vasco na temporada 2000/2001. Quando veio a vaga para mais uma decisão, a líbero não segurou a emoção: "O interessante dessas 13 finais é que cada uma tem uma história diferente. Muita gente comentou: 'Caramba, você se emocionou de novo'. Não é proposital. Nesta temporada a gente teve um histórico de lesões muito difícil. É difícil ver sua companheira de time ter problemas físicos, passar por uma cirurgia. Toda vez que chega num momento decisivo e eu me vejo emocionada é porque eu tenho a certeza de que vivi aquela temporada intensamente".
Aos 38 anos, ela recorda o primeiro título de Superliga, na temporada 2005/2006: "Eu lembro de tudo, do Caio Martins, do time que a gente montou. Quando cheguei aqui, tinha 25 anos, muito jovem, cheia de sonhos, com a vontade de conhecer o Bernardinho e poder ser treinada por ele e pela comissão técnica. Era uma menina que tinha muitos sonhos pela frente".
Outro título marcante veio na temporada 2012/13. "Não tem como fugir dessa decisão, que a gente ganhou no Ibirapuera. O Osasco fez 2 a 0 e a gente virou. O Osasco tinha uma verdadeira Seleção".
O certo é que o encontro de Fabi com o time carioca tem sido muito feliz: "O que vivi aqui contribuiu diretamente para a minha evolução como atleta, pessoa e mulher". (odia)

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