‘Eu teria sido um grande assassino em série’, polemiza Lars von Trier

O diretor de cinema Lars von Trier chega à exibição do filme "The House that Jack Built" no Festival de Cannes, na França, em 14 de maio de 2018 - AFP
AFP/ISTOÉ
O polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier disse nesta terça-feira (15) que teria sido um grande assassino em série, em mais uma declaração polêmica, após apresentar seu chocante novo filme – protagonizado por Matt Dillon -, no Festival de Cannes, onde causou indignação.
Muitos críticos saíram incomodados da exibição de “The House That Jack Built” (A Casa Que Jack Construiu), pela forma “sádica” como o protagonista, um assassino em série, mata e mutila mulheres e crianças.
Visivelmente nervoso, o cineasta, que admitiu que seu “próprio inferno é a ansiedade”, declarou que estava satisfeito de que tanta gente abandonasse a sala por não poder suportar as imagens. “Se você mata uma criança, isso tem que ser inquietante”, afirmou.
“Tento sempre ir mais longe. Seria desonesto não fazer isso. As coisas que acontecem na vida real, que é pior, deveriam e poderiam ser filmadas”, insistiu.
“Eu teria sido um grande assassino em série. Mas tinha controle suficiente para não ir nessa direção. Nunca matei ninguém, mas se tivesse feito isso, seria um jornalista”, disse, com uma cerveja na mão, ante um grupo de repórteres, em uma mansão de Cannes.
Palma de Ouro em 2000 por “Dançando no Escuro”, Lars von Trier reconheceu que teve que adentrar em seu lado mais obscuro para criar este assassino: “Em todos os meus personagens há algo de mim, mas no caso de Jack é evidente. Ele acha que é um artista, e eu também”.
Em uma das cenas atrozes, o assassino acaba mutilando sua namorada depois de tê-la humilhado verbalmente.
“Por que sempre é culpa dos homens?”, diz o criminoso, antes de cortar os seios da mulher.
Von Trier, acusado pela cantora Björk de assédio sexual, quis deixar claro que o filme não era uma resposta ao movimento #MeToo. “O problema (deste movimento) é que as pessoas são condenadas sem o mínimo julgamento”, indicou, negando de novo ter assediado a cantora islandesa, protagonista de “Dançando no Escuro”.
“Muito magoado” por ter sido declarado ‘persona non grata’ em pleno Festival, em 2011, por suas “piadas” sobre Hitler na coletiva de imprensa de “Melancolia”, Von Trier mencionou os sentimentos de culpa dos franceses sobre a Segunda Guerra Mundial: “Eu era muito ingênuo, porque a França tem um grande problema com o seu passado, você sabe, o governo de Vichy, que entregou os judeus”.
“Teria sido melhor se (tivesse brincado sobre Hitler) na Alemanha”, comentou, enquanto lembrava que nem Harvey Weinstein tinha sido declarado ‘persona non grata’ apesar das acusações contra ele por assédio sexual e estupro por parte uma centena de mulheres.

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