Marieta Severo Defende Incondicionalmente Lula E Diz: “É Evidente Que Não Há Prova Suficiente. […] Não Vão Acabar Com A Semente Que O #Lula Plantou.

De Maria Fortuna na coluna de Marina Caruso no Globo.
Ela matou quatro pessoas a tesouradas, espezinhou a filha que tem nanismo e fez sua intérprete pensar em desistir da profissão. Mesmo assim, está difícil para Marieta Severo despedir-se de Sophia, a vilã que encarnou por quase um ano na novela “O outro lado do paraíso”, que termina esta semana. Marieta é dessas atrizes tão senhoras de si que toma as rédeas na construção de cada detalhe do personagem. Basta observá-la nos bastidores da gravação do último capítulo, quando pede uma bengala à produção. É meio-dia de uma quarta-feira abafada no Projac, e a atriz acha inverossímil Sophia sair por aí andando, de boa, depois de sofrer um AVC, que a deixou com um lado paralisado. A gravação começa, e a personagem confessa as maldades à medida que bate, com força, a bengala no chão.
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A realidade toma conta de vez, quando Marieta se livra dos cílios postiços e troca a roupa preta de Sophia por uma blusa colorida. “Não saio com nada dela e, agora, só uso cor para me distanciar”. O incômodo com a assessora segurando sua bolsa (“deixa isso, menina”) reforça a diferença entre a desumana Sophia e sua intérprete — a Marieta que foi casada com Chico Buarque por 30 anos, sofreu com a ditadura, defende Lula, viu a família ser atacada nas redes sociais e, hoje, celebra o amor maduro (e em casas separadas) com o diretor Aderbal Freire-Filho.
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A senhora viveu a década de 60, o feminismo, a liberdade sexual. Considera que hoje vivemos um retrocesso?
Sim. Quando vivemos um momento tenebroso assim, tem que ficar atento, mas há outras forças. A questão da mulher, que estava adormecida, e do preconceito racial, estão sendo discutidas. Minha geração lutou; a das minhas filhas usufruiu. Na minha época, ser feminista era cafona. Falavam “Você é feminista? É contra o homem?”. Agora, pegaram o bastão e foram adiante. As meninas de 20 anos estão empoderadas… essa palavra estranha.
Tem netas jovens, percebe nelas a bandeira do novo feminismo?
Sim! Clara, de 19 anos (filha de Helena Buarque com Carlinhos Brown), tem o discurso todo, o tal lugar de fala. Ninguém fica discursando na família, mas eu provoco, adoro ouvir. É saboroso.
Acha que os movimentos diante da questão do assédio estão surtindo efeito?
Tenho um neto de 21 anos (Chico Brown, também filho de Helena) e percebo a mudança na maneira de lidar com a namorada, de se posicionar. Minha geração tinha a teoria, mas não a prática. Há essas trevas horrorosas, mas tenho a ilusão de que o ser humano vai rumo à luz.
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Seu neto sofre preconceito por ser negro? E a senhora? Sofre com medo que ele sofra?
Por causa da intervenção, tenho medo que ele tome tapa da polícia. Com a minha neta loura, não preciso falar isso. Como vó, quero proteger. Dá medo, é um rastafári, figura fora do padrão. Me doeu quando o vi, numa entrevista, dizendo que desviavam dele na rua por ser negro. Mas a questão evoluiu. Na minha adolescência eu passava o cabelo no ferro.
Sua família é alvo constante de haters. Houve insinuações de que Chico Buarque se beneficiava da Lei Rouanet… Como lidam com isso?
Estamos aprendendo. Sobre a Lei Rouanet, tivemos que explicar muito que o Chico nunca usou. Eu, Marieta, uso. Jamais poderia ter montado algumas peças se não fosse a lei. As pessoas atacam sem informação: “Ah, ela tem um teatro, seria melhor se tivesse um hospital”. Eu não sou médica! Ler que minha família é canalha (o antiquário João Pedrosa fez esse comentário em foto postada por Silvia, primogênita de Marieta) dói no meu coração. Que isso? Tenho orgulho dela! Mas esse a gente já processou, ele perdeu, se ferrou. Menos um!
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Recentemente, um falso texto com críticas a Lula atribuído a senhora voltou a circular. Arrependeu-se de pedir a sua filha, Silvia, que esclarecesse nas redes sua admiração pelo ex-presidente?
Como mãe, quase cortei os pulsos. A Silvia levou uma rebarba horrorosa. Foi ameaçada junto com a família. Sou uma idiota virtual, uma jurássica. Não tenho “feice” nem “insta”. Ou melhor, tenho, falsos, e preciso ir atrás de quem fala em meu nome.
Apoiou o Lula em todas as eleições, mesmo em 2006, depois do Mensalão. O apoiaria de novo? Ficou triste com a prisão?
Fiquei muito triste com a prisão, armada juridicamente como foi. É evidente que não há prova suficiente. Independentemente dos erros, não vão acabar com a semente que o Lula plantou. Temos que prestar atenção no que está por trás do que as pessoas dizem, a quem interessa. Não deixar visitarem Lula na prisão faz parte do jogo em relação à próxima eleição. É a lama. Nos anos Lula, tinha a sensação de que alguém estava fazendo algo para diminuir a desigualdade social.
Você e Chico mantiveram a amizade após a separação. Como é a relação de vocês?
Eu sei que ele está ali e é a pessoa que mais me conhece. E eu a ele. Trinta anos é muito tempo, a gente se formou junto. Nossa relação continua através do trabalho e desse elo fundamental para a família. Temos um escritório juntos e continuo sendo a pessoa que organiza os shows dele. Inclusive, essa temporada foi linda, fez muito bem a ele, o alimentou, estava precisando. 
(NBO)

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